Arte de marcar o tempo, nos 50 anos de F-1
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sábado, 10 de abril de 1999
Por Mariana Caetano 
São Paulo, 10 (AE)- Das primeiras corridas de Fórmula 1, na década de 50, até hoje, a cronometragem do tempo das máquinas na pista tornou-se mil vezes mais precisa. A cada dez anos, aproximadamente, a referência de tempo utilizada nas disputas saiu dos segundos, foi a décimos de segundo, centésimos de segundo e chegou ao parâmetro atual, milésimos de segundo. A uma velocidade de 200 quilômetros por hora, a diferença de um milésimo de segundo entre dois carros equivale a uma distância de 4,5 centímetros. É praticamente impossível que o critério de cronometragem torne-se ainda mais preciso do que é hoje.
O limite para isso não é só tecnológico, mas físico. Nessa linha evolutiva do tempo, o próximo passo seria a capacidade de medir décimos de milésimos de segundo. Dois carros separados por um décimo de milésimo de segundo, também a 200 quilômetros por hora, estariam distantes um do outro 4,5 milímetros. "Não é possível garantir, por exemplo, que a faixa de chegada na pista não tenha uma variação deste tamanho em toda sua extenção", explica o engenheiro suiço e porta-voz na Tag Heuer, Jean Campiche. A empresa é a cronometrista oficial do campeonato mundial de F1. Segundo ele, o empate de competidores no mesmo milésimo de segundo é praticamente impossível.
Em 1997, no Grande Prêmio da Europa que decidiria o título mundial, isso aconteceu entre Jacques Villeneuve, Michael Schumacher e Heinz-Harold Frentzen durante os treinos oficiais. De acordo com o regulamento da FIA, o critério de desempate para a definição do grid de largada é a ordem cronológica das marcações. Villeneuve, que havia alcançado o melhor tempo primeiro, ficou com a pole.
Para alcançar a precisão exigida, a Tag Heuer utiliza cronômetros de quartzo. Ativados por uma corrente elétrica, o mineral emite frequências estáveis que servem como unidade de medida. Toda a parafernália envolvida nesse processo, que inclui transmissores instalados em cada carro, é muito diferente dos instrumentos que Suzy Fittipaldi usava para medir o tempo de seu marido, Wilsinho, e mesmo de seu filho, Christian Fittipaldi. "Quando eu comecei a cronometrar, só chegávamos até décimos de segundo", conta.
"A equipe montava uma tábua sob alguns pneus num canto da pista, para que eu tivesse campo de visão, e eu tinha uma prancheta ou livro para anotar os tempos." Suzy foi uma das precursoras na cronometragem nos anos 70. Lembra-se de ter usado
de acordo com a evolução tecnológica, pelo menos cinco modelos diferentes de cronômetros. A maioria, mecânicos. "Um dos modelos era uma prancheta com três cronômetros embutidos, acionados por uma alavanca; um toque acionava, outro toque parava e o terceiro zerava cada um deles, respectivamente."
Para ela, a engenhoca já era um grande avanço. Suzy costumava anotar os tempos de todos os carros com um ou dois cronômetros. "Era difícil, mas a gente se acostuma." E completa: "Numa fração de segundo, eu tinha de reconhecer cada competidor pela cor do capacete do piloto." Hoje, Suzy é uma das coordenadoras de operação do Centro de Mídia em Interlagos. "Do mesmo jeito que as pessoas ficam de olho nos monitores de cronometragem agora, ficavam em volta da minha prancheta de marcação, que nunca era muito diferente do tempo oficial."


