São Paulo, 26 (AE) - Muitos torcedores brasileiros foram solidários ao piloto Rubens Barrichello. Assim que ele abandonou a prova, na 27a volta, centenas de pessoas deixaram o autódromo de Interlagos e desistiram de acompanhar o final do Grande Prêmio e a segunda vitória do alemão Michael Schumacher.
O torcedor Nei Aquino, que vestia uma camisa da seleção brasileira, resumiu bem o sentimento do público ao sair de Interlagos antes da metade da corrida. "A frustração foi a mesma da final da Copa do Mundo de 98." Os funcionários do autódromo e a equipe que cuidou da segurança tiveram muito trabalho antes do tempo esperado. Todos foram obrigados a correr para os portões principais para organizar a saída dos torcedores com apenas 40 minutos decorridos de competição.
A decepção estava estampada no rosto de cada um. O casal de empresários, Douglas e Adriana Freire, nem quis saber quem seria o vencedor do GP do Brasil. Assim que o carro de Rubinho quebrou
os dois foram embora para procurar um novo programa, bem longe de Interlagos: um bom filme.
Para Douglas, o problema do piloto brasileiro é a falta de sorte. "O Rubinho não tem a sorte que o Senna tinha; a meteorologia estava prevendo chuva, o que era bom para ele, mas isso não aconteceu", lamentou. "Se fosse com o Senna, teria caído uma tempestade." O vendedor Ademílson Santos não conseguia conter o abatimento. Ficou horas na fila para entrar no autódromo e teve de se contentar em ver Rubens Barrichello por apenas meia hora. "Além de tudo, pagamos caro para ver a corrida, R$ 160,00", comentou. "O Rubinho forçou demais o motor e, por isso, também teve culpa."
Embora ainda tenha a confiança dos torcedores, Rubinho perdeu de vez a chance de ser um substituto de Senna na cabeça dos torcedores. "Ele é um bom piloto e ainda vai ganhar uma corrida
mas nunca vai ser igual ao Senna", afirmou Márcio Esteves, gerente industrial, que foi a Interlagos com a filha Priscila, de oito anos. No entanto, ainda dá crédito ao brasileiro e garante que vai voltar no ano que vem.