Santos - Arouca é o que se pode chamar de carregador de piano no time do Santos. Enquanto a maioria dos seus companheiros se diverte trocando bola no ataque e fazendo gols, ele é obrigado a atuar na marcação, fazendo a proteção dos zagueiros e cobrindo as descidas dos laterais. O pior é que, além de ter que se controlar para também não se juntar ao bloco da frente, o volante vem sendo alvo das brincadeiras dos colegas porque é um dos três jogadores do time titular que ainda não fizeram gol neste início de temporada - o goleiro Felipe e o lateral-esquerdo Léo são os outros dois.
Felipe não marcou gols por ser goleiro. Enquanto isso, a explicação para o jejum de Léo é que ele vem sendo perseguido pelas contusões e participou de apenas 13 jogos do time na temporada. O lateral ainda alega que o árbitro Marcelo Rogério errou ao escrever na súmula do primeiro jogo das semifinais contra o São Paulo, no Morumbi, que o primeiro gol santista foi contra de Júnior César. ''Foi meu, porque cruzei chutando'', explicou.
Assim, as gozações em cima de Arouca aumentaram depois que o zagueiro Edu Dracena marcou o segundo gol do time na derrota por 3 a 2 para o Atlético-MG, quarta-feira passada, no Mineirão, pela Copa do Brasil. ''Eu estou tranquilo por saber que não tenho obrigação de fazer gol. O mais importante é que eu procuro ajudar a equipe dentro da minha função. Mesmo assim, quero fazer meu o meu. Quem sabe não sai domingo na decisão. E se for o centésimo será melhor ainda'', afirmou o volante.
Embora ainda não tenha feito gol, Arouca até poderia reivindicar a coautoria em dois dos 98 gols que o time do Santos já marcou na temporada, por ter sofrido dois pênaltis convertidos por Neymar. O primeiro foi na vitória por 2 a 1 contra o São Paulo, na Arena Barueri, na fase de classificação do Paulistão. E o outro foi no primeiro minuto da vitória por 8 a 1 sobre o Guarani, na Vila Belmiro, pela Copa do Brasil.
Até agora, nos 98 gols marcados pelo Santos na temporada, foram 21 de Neymar, 18 de André, 12 de Paulo Henrique Ganso, 9 de Robinho, 7 de Marquinhos, 6 de Wesley, Madson e Zé Eduardo, 2 de Germano, Marcel e Alex Sandro, 1 de Pará, Durval, Edu Dracena, Giovanni, Maikon Leite e Breitner e 1 contra de Júnior César (São Paulo).
Mas as chances de Arouca fazer gol no domingo, contra o Santo André, são pequenas. Afinal, o técnico Dorival Júnior estuda a possibilidade de voltar a escalar o time no esquema tático 4-3-3, deixando-o como único volante de ofício entre os titulares - nesse esquema, os meias Marquinhos e Paulo Henrique Ganso irão ajudá-lo na marcação, mas ele fatalmente estará sobrecarregado, sem espaço para ir ao ataque.
A outra alternativa testada no treino de ontem foi a presença de Rodrigo Mancha na frente dos zagueiros. Com isso, Arouca ganha um pouco mais de liberdade, atuando da mesma forma que Wesley, suspenso para a final.
Independente da questão do gol, Arouca não acredita que a derrota por 3 a 2 para o Atlético-MG, na última quarta-feira, possa ter consequências negativas na decisão de domingo. ''Vamos reagir normalmente, como fizemos nas derrotas anteriores. A gente está ciente de que o Santos não é imbatível, mas o importante é que temos poder de reação. Daqui para frente, todos os jogos serão difíceis, porque o adversário entra mais ligado por ser o Santos. É decisão atrás de decisão, mas é isso que a gente estava querendo'', afirmou o volante.

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