Buenos Aires - Quando a seleção comandada por Marcelo Bielsa foi eliminada pela Suécia da Copa de 2002, o clima entre os argentinos era de profunda indignação tanto pelo fraco desempenho dos jogadores como pela atitude do ex-técnico argentino, que nunca conseguiu conquistar o carinho dos torcedores. Ontem, a história foi bem diferente. Os argentinos sofreram pela derrota contra a Alemanha mas, longe de buscar culpados pela tragédia ocorrida em Berlim, a grande maioria dos torcedores defendeu a atuação da seleção e, sobretudo, o trabalho realizado pelo técnico José Pekerman, que pouco depois do jogo anunciou sua decisão de renunciar ao cargo.
Foi o fim de um sonho que durou três semanas. A seleção dos muchachos de Pekerman despertou uma enorme esperança entre os argentinos, que desde o início da Copa acreditaram que desta vez a seleção nacional tinha grandes chances de vencer o campeonato, depois de 20 anos de jejum. Mas o sonho terminou.
Antes e durante o jogo, as ruas da capital argentina ficaram desertas. Os bares, lotados. A cidade praticamente parou para assistir o duelo contra a Alemanha. Os problemas que surgiram durante o jogo, com destaque para a troca de goleiro, criaram um clima de preocupação entre os torcedores. Mas a esperança foi a última que morreu. Como disse Pekerman na entrevista concedida à imprensa após o jogo, os argentinos acreditaram até o último minuto na vitória da seleção nacional.
As emissoras locais de rádio e TV refletiram a tristeza que predominava entre os argentinos. O canal Telefe repetiu durante toda a tarde um anúncio institucional com a seguinte mensagem: ''Porque deixaram tudo, porque puseram tudo, ganhando ou perdendo, continuaremos lhes dando alento. Obrigado Argentina''. O Todo Notícias mostrou imagens do Obelisco, ponto de encontro dos torcedores, praticamente vazio. ''Desta vez não deu. A comemoração que não aconteceu'', informou o canal. (Agência O Globo)

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