Argentinos sofrem com eliminação
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sexta-feira, 30 de junho de 2006
Jaime Kaster<br> Reportagem Local 
30 de junho de 2006. Um dia para ser esquecido pela professora argentina Graciela Viar, 41 anos. A seleção do seu país foi eliminada pela Alemanha, nos pênaltis, e voltou mais cedo para casa. Com isso, adiou para mais quatro anos o sonho do tricampeonato. ''É difícil falar alguma coisa numa hora dessas'', dizia ela, desolada. ''Mais complicado é aceitar uma derrota desse jeito, nos pênaltis, depois do time ter lutado tanto dentro de campo'', completou a professora, que é casada com um brasileiro e mora há 16 anos em Londrina.
Na avaliação dela a Argentina jogou bem, ''mas o treinador mexeu errado e daí não deu para ganhar no tempo normal ou na prorrogação''. ''Foi absurdo o técnico não ter colocado o Messi quando o time mais precisava dele'', criticou Graciela, que dá aulas de espanhol em quatro escolas de Londrina.
No final, sobrou o sentimento de que ''não deu de novo'' e o gosto amargo de ver o time vir embora mais cedo do Mundial. Perguntada se a Argentina deu azar de cruzar com a Alemanha nas quartas-de-final, a professora foi enfática: ''Isso não tem nada a ver. Acho que o time que quer ganhar a Copa tem que passar por qualquer adversário''.
Durante todo o primeiro tempo, Graciela demonstrava nervosismo e apreensão pelo fato de não saírem os gols. ''Estou preocupada, porque o nosso time é melhor, mas ainda não conseguiu marcar (gol). Tomara que eu não sofra desse jeito no restante do jogo'', disse ela no intervalo.
Enquanto revia os melhores lances da primeira etapa na companhia do marido Paulo Roberto Guedes e do namorado da filha mais nova, Manoela, 17, a professora explicou como veio parar no Brasil. ''Nasci em Buenos Aires e sou torcedora do Boca (Juniors) desde pequena. Vim para o Brasil porque casei com um brasileiro que conheci na Grécia. Primeiro morei em Porto Alegre e depois em Tubarão (SC), sempre trabalhando como professora de espanhol. Daí decidi vir para Londrina e estou até hoje aqui'', relatou.
Nas decisões entre Argentina e Brasil ela assegura que não há discussão em casa, apesar de os dois filhos torcerem para o Brasil (também é mãe de Pablo, 20). Enquanto o jogo transcorria, ela dizia que se Argentina passasse, ''com certeza'' seria uma final contra o Brasil. ''Se tem alguém que é favorito, é a Argentina'', elogiou Graciela, para depois de alguns segundos, completar: ''...E o Brasil também, é lógico''.
Argentino falsificado Durante o segundo tempo, a equipe da Folha rodou pela área central e viu tevês ligadas em todos os bares, padarias, postos de gasolina e pontos de táxi. Alguns ''secando'' a Argentina e outros só querendo ver o espetáculo. Num bar na Avenida Higienópolis, um ''argentino'' de Brasília chamava a atenção. Era Jihed Ali, 16, filho de libaneses, que trajava uma vistosa camisa da seleção alviceleste. Ele garantiu que torce mesmo para a Argentina. ''Não estou fazendo isso para zoar não. Sempre gostei da Argentina, por influência do meu irmão mais velho. Tenho três camisas oficiais'', contou.
Entre os clubes do país vizinho, gosta do Boca Juniors e é fã de Maradona, embora nunca o tenha visto jogar ao vivo. ''Quando a Argentina foi campeã em 1986 eu nem tinha nascido. Vejo o Maradona em vídeos que baixo todo dia pela internet'', informou.


