Uma maioria de argentinos fará das tripas coração mas torcerá pelo arquirival Brasil na partida de amanhã contra a também odiada Inglaterra, revelaram ontem pesquisas. No entanto, as pesquisas mostram que essa opção não se impõe de maneira categórica. Só no jornal econômico liberal BAE, a consulta deu o resultado inverso, 55% a favor da Inglaterra, cuja recente vitória de 1 a 0 sobre a Argentina no Japão foi decisiva para eliminá-la.
A prova de que a escolha entre Inglaterra e Brasil não foi fácil foi dada pelo jornal Clarín, o de maior circulação, ao formular a pergunta pela negativa: ‘‘Quem prefere que perca?’’. Dos 12 mil que tinham votado até ontem ao meio-dia, 51,7% preferiram que a Inglaterra seria a seleção derrotada.
No jornal La Nación, com 6,4 mil votos, 53,9% se pronunciaram pela vitória do Brasil, e no esportivo Olé, sobre 5,2 mil participantes, preferiram uma vitória brasileira 54,9%.
No esportivo Olé, o especializado mais influente do País, nem mesmos os colunistas entraram em sintonia. Um dos textos, de Maximiliano Delgado, pergunta: E se os dois perderem? O jornalista lembra que a maioria dos torcedores argentinos admiram Rivaldo e Ronaldo e deverão torcer para o Escrete por achar os ingleses mais fortes e com mais chances de chegar ao campeonato, se prosseguirem. Para ele, nas semifinais, a rivalidade regional prevalecerá e que os vizinhos sulamericanos vão engrossar a torcida anti-Amarelinha.
O diário publica lado a lado ponto de vista das duas correntes. Em ‘‘Tomara que vença o Brasil’’, o cronista Adrían Maladesky pede desculpas aos leitores: ‘‘Será que posso? Ou tenho que pedir permissão a um barra brava?’’. Ele prossegue defendendo sua opinião: ‘‘Quem é fanático por futebol penderá para o Brasil, uma equipe capaz de ter lampejos, com jogadores capazes de uma caneta, um chapéu, um pouco de bom gosto’’, observa. ‘‘E não podem bronquear comigo, porque o Brasil também é Caetano Veloso, Bahia, Vinicius, Sônia Braga, Falcão, a equipe de 1982 (a melhor que vi na vida), Xuxa...’’. Ele conclui: ‘‘Brasil e Inglaterra será uma partida para curtir. Mas quero que vença o Brasil porque prefiro quem ataca’’.
No ‘‘Tomara que vença a Inglaterra’’, Leo Farinello, jornalista que é torcedor confesso do River Plate, usa fina ironia: ‘‘Só há uma partida que quero que o Brasil vença: contra o Boca Juniors. Depois, quero que perca sempre’’. Farinello lembra que o Brasil só foi competente na Copa em um sentido, ser favorecido pela arbitragem. E depois, dispara o argumento mais agudo: ‘‘Suportaríamos se o Brasil se sagrasse pentacampeão? Como descontaremos três Mundiais, se Maradona parou de jogar?’’.

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