Belo Horizonte - A equipe do Arsenal conseguiu deixar Belo Horizonte, ontem, depois de passar boa parte da madrugada no Juizado Especial Criminal montado no estádio Independência por causa da pancadaria generalizada com policiais militares. Oito jogadores foram autuados por lesão corporal e desacato a autoridade e os argentinos, após serem goleados pela segunda vez pelo Atlético Mineiro por 5 a 2 na Copa Libertadores, ainda tiveram que pegar R$ 38 mil emprestados com o time brasileiro para pagar a multa imposta pela Justiça.
A tensão na partida válida pela quinta rodada da fase de grupos da competição cresceu ainda no intervalo, quando argentinos e atleticanos se estranharam em campo. Mas a confusão explodiu mesmo após o apito final, quando, revoltados com a derrota, os jogadores do Arsenal partiram para cima da equipe de arbitragem liderada pelo paraguaio Enrique Cáceres, que teve que ser protegida por militares.
A revolta dos argentinos se voltou para a PM e os jogadores começaram a agredir policiais com socos, chutes e arremessando objetos. A confusão iniciada em campo continuou no caminho do vestiário, parcialmente depredado pelos integrantes do Arsenal, que chegaram a arremessar cadeiras contra os militares. "A polícia se posicionava para dar segurança aos adversários, na saída dos jogadores. Inexplicavelmente, eles (argentinos) partiram para a agressão contra a polícia. Eu mesma fui agredida", contou a chefe do Comando de Policiamento da Capital (CPC), coronel Cláudia Romualdo, que levou um chute no peito.
Ela foi uma das vítimas que teria direito a uma indenização de R$ 4 mil imposta pela Justiça, mas abriu mão do dinheiro diante do pedido formal de desculpas por parte do volante Iván Marcone, que assumiu a agressão contra a oficial. Outros dois policiais e um radialista agredidos receberam as indenizações e a juíza Patrícia Froes determinou que os R$ 26 mil da multa por desacato fossem destinados a instituições filantrópicas.
Além de Marcone, foram autuados Hugo Nervo, Damián Pérez, Milton Celiz, Jorge Ortiz, Nicolás Aguirre, Lisandro López e Darío Benedetto. Os acusados foram identificados por meio das imagens da pancadaria.
Pela ata do acordo firmado no Juizado Especial, o Arsenal tem dez dias para devolver ao Atlético o dinheiro da multa, pago pelo presidente alvinegro, Alexandre Kalil. Após a confusão, o dirigente descartou a possibilidade de o time ser punido porque, apesar de ser o mandante da partida, "não tem nada a ver" com o tumulto, segundo Kalil. "A punição tem que existir para eles (argentinos). Tomaram de dez nos dois jogos e foi tudo roubado?", declarou.

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