Argentinos e paraguaios não dormiram
PUBLICAÇÃO
domingo, 02 de junho de 2002
Alexandre Palmar<br>Equipe da Folha 
Foz do Iguaçu - As concentrações de torcedores em Puerto Iguazú e Ciudad del Este, na fronteira com Foz do Iguaçu, foram marcadas pela euforia dos argentinos e tristeza dos paraguaios. Apesar dos horários, eles mudaram suas rotinas ávidos por uma estréia com vitória, porém tiveram destinos diferentes.
Era possível perceber a mudança de comportamento provocada pela Copa do Mundo logo nas entradas dos países vizinhos. Policiais e fiscais das aduanas assistiram aos jogos em televisores trazidos de casa, instalados ao lado das guaritas. Seguranças particulares dos shoppings comerciais também se reuniram em grupos para acompanhar as partidas.
A festa dos fãs de Verón e companhia começou às 2h30 (mesmo horário de Brasília), num momento normalmente de fim de noite para os mais moderados, mas no auge da festa para os boêmios. O jogo deixou todos em frente de telões, como no Bar La Barranca, que reuniu perto de 400 pessoas, inflamadas por um narrador cujo ufanismo daria inveja ao global Galvão Bueno.
O gol de Batistuta, aos 18 minutos do segundo tempo, foi o estopim para o começo da festa para os argentinos, regada a cerveja vendida a R$ 2,00 o litro. Após o apito final, torcedores sairam com suas bandeiras e camisetas numa carreta pela Avenida Vitoria Aguirre, a principal do município de 35 mil habitantes. Que venha a Inglaterra, disse o confiante Nicholas Roa, 22 anos. A equipe está quase 100%, completou o escrivão Alejandro Lorca, 34.
Festa semelhante quase aconteceu em Ciudad del Este, onde normalmente as ruas são limpas e pacatas à noite. As concentrações também foram em clubes noturnos, onde hermanos acompanhavam a Albijorra (apelido em alusão as cores branca e vermelha da seleção). Durante todo o jogo, paraguaios gritavam ponga huevo, uma referência aos testículos, para eles, símbolo de hombridade, garra.
O golaço de falta feito por Arce deixou todos ainda mais eufóricos, entre eles alguns imigrantes de origem árabe. Se vencermos a África do Sul, passamos a ter chances de classificação, chegou a dizer Fernando Ayala, 34 anos, empreendedor de seguros, reunido com quase cem hermanos na Choperia La Guarida. A vibração era tanta que muitos se abraçavam sobre as mesas, cantavam o hino do país e sacudiam suas bandeiras.
Já eram quase 5 horas (6 horas de Brasília), quando aconteceu o gol de empate dos sul-africanos, um verdadeiro balde de água fria para aqueles que preparavam a carreata. Foi injusto. Bobeamos no final. Agora, não podemos bobear diante da Espanha, disse Ayala, ainda com dúvidas sobre o penâlti, mas decidido a suspender a cerveja e a consolar-se com a canja servida pelo estabelecimento.


