Argentino promete ajudar FBI
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terça-feira, 09 de junho de 2015
Jamil Chade<br> Agência Estado 
Genebra - Um dos principais empresários que teriam pago propinas para José Maria Marin e Marco Polo Del Nero promete ajudar o FBI e explicar como funcionou o esquema de corrupção. Trata-se do argentino Alejandro Burzaco, de 50 anos, que se entregou ontem na Itália depois de ter fugido da Suíça. Ele era o CEO da Torneos, empresa que pagou US$ 110 milhões (R$ 341 milhões) em propinas para diversos dirigentes sul-americanos.
O argentino tomava o seu café da manhã no hotel Baur au Lac, em Zurique, quando começou a operação policial no dia 27 de maio que resultou na prisão de Marin e mais seis dirigentes. Ao se dar conta de que se tratava de uma ação contra a Fifa, deixou o local sem ser notado, não retornou ao seu quarto e conseguiu sair da Suíça.
Procurado pela Interpol, FBI e pelos suíços por causa do escândalo da Fifa, ele optou por se entregar ontem. E, acompanhado por advogados, indicou que quer colaborar com as investigações. Burzaco tem passaporte italiano e se apresentou à polícia de Bolzano - cidade que fica no norte da Itália, perto da Áustria. Ele indicou que quer prestar depoimento e estaria disposto a ir para os Estados Unidos.
Ontem mesmo ele conseguiu que a Justiça italiana o autorizasse a ficar em prisão domiciliar depois de alugar uma casa em Bolzano. Até então, estava hospedado em um luxuoso hotel da região.
O argentino foi aconselhado por seus advogados a tentar negociar um acordo de delação premiada. Ele é uma das 14 pessoas indiciadas pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos por envolvimento em casos de corrupção no futebol.
Segundo o inquérito, no dia 1º de maio de 2014, Burzaco se reuniu com outros empresários no sul da Flórida, depois da conferência de imprensa em que foi anunciada a realização da "Copa América do Centenário" nos Estados Unidos em 2016, e declarou: "Todos podemos nos machucar com isso. Todos podemos ir para a cadeia".
O argentino era o CEO da Torneos. Em 2013 ele criou a empresa Datisa, que concordou em pagar US$ 110 milhões - dos quais US$ 40 milhões (R$ 124 milhões) já foram pagos - em propinas para garantir contratos da Copa América até 2023.
Segundo o indiciamento, entre as pessoas que "pediram ou receberam propinas" estavam José Maria Marin e o "co-conspirador 12", uma terminologia adotada pelo Departamento de Justiça para apresentar personagens do inquérito que ainda estão sendo investigados.
O co-conspirador 12 também é citado como alguém que, ao lado de Marin, recebeu propina pela Copa do Brasil e definido como "alto dirigente da CBF, Conmebol e Fifa". A descrição coincide com Marco Polo Del Nero, que nega ser o personagem em questão.


