Hamburgo - Maradona vibrou. Das tribunas do estádio de Hamburgo, o ex-supercraque assistiu e aplaudiu a difícil vitória de sua Argentina sobre a Costa do Marfim por 2 a 1, na abertura do Grupo C da Copa do Mundo, o Grupo da Morte. Em 2002, a Argentina também estreara batendo um time africano, a Nigéria, mas acabou eliminada depois de perder para a Inglaterra e empatar com a Suécia.
O público que foi ao estádio em Hamburgo viu um jogo equilibrado em especial no primeiro tempo. Entre as favoritas que já estrearam – incluindo Alemanha e Inglaterra – a Argentina foi a melhor. ‘‘Estrear com vitória é sempre importante. Dá confiança ao time. Superamos a tensão da estréia e um difícil adversário’’, afirmou o técnico argentino José Pekerman.
Perguntado sobre a luta pelo título, Pekerman foi cauteloso: ‘‘Vamos pensar em vitória após vitória, fase após fase’’.
Mesmo estreante em Copas do Mundo, foi a Costa do Marfim que começou rondando o gol de Abbondanzieri. Logo aos 2 minutos, Akale cruzou para Drogba, que chutou prensando. Três minutos depois, Akale chutou para fora, de longe. Diante da correria dos marfinenses, os argentinos tocavam a bola.
Aos 14 minutos, em lance polêmico, Riquelme bateu escanteio e Ayala deu a cabeçada. O goleiro Tizié defendeu em dois tempos, dando a impressão de que a bola teria entrado. Os argentinos pediram o gol, mas o juiz Frank de Bleeckere não deu.
Entretanto, a torcida argentina não demoraria a comemorar. Aos 24, Riquelme bateu uma falta, a zaga desviou, e o artilheiro Crespo confirmou seu oportunismo: 1 a 0.
Parecia que a Argentina iria imprensar o adversário, por sua técnica e pelo currículo de bicampeã. Mas não. Atenta à marcação, a Costa do Marfim tomava bolas no meio-campo e partia em velocidade. Foram chances sucessivas para a equipe laranja. Aos 31, Drogba ia concluir, mas chutou sobre Ayala, que teve ótima atuação. Aos 34, Akale cabeceou, mas Abbondanzieri defendeu.
Tantas chances desperdiçadas pelos africanos eram o sinal. O mais conhecido ditado do futebol estaria para se confirmar: ‘‘Quem não faz leva’’ Riquelme lançou Saviola livre na área: 2 a 0.
Elogio – Na segunda etapa, a Argentina administrava o placar. Mas a Costa do Marfim melhorou com Dindane e Kone, nos lugares de Kalou e Akale. O técnico argentino Pekerman resolveu garantir o resultado, substituindo os atacantes Saviola e Crespo pelos apoiadores Palácios e González. Aos 37 minutos, a recompensa à garra da Costa do Marfim: Dindane cruzou, e Drogba diminuiu, fazendo o primeiro gol do país em Copas do Mundo. Empurrada pela torcida, a equipe laranja buscou o empate, mas a Argentina triunfou.
O técnico Parreira viu o jogo na concentração da seleção brasileira e elogiou Riquelme: ‘‘Ele decidiu o jogo, criou as jogadas dos gols da Argentina’’.
O capitão Sorín saiu satisfeito com a vitória da Argentina. O jogador disse ter gostado da atitude do time. ‘‘Gostei da nossa atitude, sempre buscando o bom resultado, mas quieta’’, disse o defensor.
Maradona – O astro argentino Diego Maradona levantou a torcida argentina em Hamburgo. Ao lado da filha Gianinna, o ex-jogador sentou-se no meio do público e regeu o coro de ‘‘Maradoo’’ com o qual tradicionalmente é saudado por seus compatriotas.
Vestido com uma camisa que reproduzia o uniforme da seleção argentina de 1986 – quando ele próprio comandou o país ao bicampeonato mundial –, Maradona foi aplaudido assim que chegou ao local e sua imagem foi mostrada no telão.

'Gostei da nossa atitude, sempre buscando o resultado, mas quieta' Sorín
Lateral e capitão da Argentina

ARGENTINA 2

Abbondanzieri; Burdiso, Ayala, Heinz e Sorín; Mascherano, Cambiasso, Maxi Rodríguez e Riquelme (Aimar); Saviola (Lúcio González) e Crespo (Palácio). Técnico: José Pekerman

COSTA DO MARFIM 1

Tizié; Eboue, Kolo Touré, Meité e Boka; Zokora, Yaya Touré, Akale (Kone) e Kalou (Dindane); Drogba e Keita (Arouna Kone). Técnico: Henri Michel

Árbitro: Frank de Bleeckere (BEL)
Estádio: AOL Arena, em Hamburgo
Gols: Crespo aos 24 e Saviola aos 38 minutos do 1º tempo; Drogba aos 37 minutos do 2º tempo

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