Nuremberg - Uma das características mais marcantes do técnico José Pekerman é escalar sua equipe sempre de acordo com o adversário e com as circunstâncias da partida. Foi assim que ele agiu até agora na Copa do Mundo. Portanto, é quase certo que o treinador fará alguma mudança na seleção argentina que sexta-feira decide com a Alemanha, em Berlim, uma vaga nas semifinais do Mundial 2006. A entrada de Tevez no ataque no lugar de Saviola é uma possibilidade cada vez mais concreta, assim como a substituição de Cambiasso por Lucho Gonzalez, no meio-campo, caso este mostre até o dia da partida que está recuperado do problema muscular na coxa esquerda que o tirou de campo logo no início do encontro contra a Sérvia e Montenegro.
Apesar da estréia vitoriosa diante da Costa do Marfim (2 a 1), Pekerman mexeu na equipe para o jogo seguinte, contra Sérvia e Montenegro. Tirou Cambiasso, um de seus interlocutores em campo, e lançou Lucho Gonzalez, jogador mais dinâmico e veloz, que atua pela direita, deslocando Maxi Rodríguez para o meio, ao lado de Maschereano. Mas o destino conspirou contra o técnico argentino e com menos de 15 minutos Cambiasso estava em campo no lugar de Lucho Gonzalez. Com a mesma formação da estréia, a Argentina fez a melhor exibição de uma equipe até agora na Copa, vencendo por 6 a 0.
Contra a Holanda, com a Argentina já classificada, Pekerman fez quatro alterações. Tevez atuou no lugar de Saviola e foi eleito pela Fifa o melhor homem em campo, apesar do 0 a 0 também começaram jogando Messi (Crespo), Gabriel Milito (Heinz) e Cufré (Sorín). ''Uma das forças da Argentina está no seu elenco. Temos vários jogadores para alterar nosso esquema de jogo'', já disse Pekerman mais de uma vez neste Mundial.
Mesmo na partida contra o México, quando pretendia escalar a equipe do primeiro jogo mas acabou sendo impedido devido à contusão do lateral Burdisso, o treinador argentino surpreendeu. Quando todos esperavam que ele escalasse Coloccini, que entrara no lugar do titular contra os holandeses e tivera atuação segura, Pekerman inovou e improvisou o volante Scaloni, o único convocado de linha que ainda não tinha jogado na Copa.
A idéia era ter um jogador mais ofensivo na lateral, para atacar o México com mais um homem. A intenção foi boa, mas na prática a mexida se mostrou uma calamidade. Scaloni errou tudo e foi um dos piores em campo. Por isso, José Pekerman torce para que Burdisso esteja liberado para a partida contra a Alemanha, o que de fato deve acontecer.
Nesta partida, Tevez entrou no lugar de Saviola, que esteve apagado, e o time melhorou seu desempenho ofensivo, principalmente depois da entrada de Messi. Mas o jogador do Barcelona deverá ficar no banco como arma para mudar a partida.
Uma coisa é certa, entre quem entrar, não haverá jogador do River Plate nem em campo e nem no banco. É a primeira vez, desde a Copa de 1934, na Itália, que a Argentina disputa um Mundial sem um atleta sequer do tradicional e poderoso time de Buenos Aires. Se serve de consolo, nada menos do que nove jogadores que estão na Alemanha já usaram a camisa branca com diagonal vermelha do River: Ayala, Aimar, Cambiasso, Crespo, Julio Cruz, Lucho Gonzalez, Mascherano, Saviola e Sorín.

mockup