Argentina gosta de desafios
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segunda-feira, 26 de junho de 2006
Mauricio Fonseca<br> Agência O Globo 
Nuremberg - Agora ficou como a Argentina gosta. Ou seja, com tudo contra. Depois de passarem um sufoco para superarem os mexicanos nas oitavas, quando eram os grandes favoritos, os argentinos começam a ficar excitados com o desafio que se aproxima. Não um desafio qualquer mas sim, superar a Alemanha, os donos da casa, diante de milhares de torcedores e bem na capital do país. Sem falar no adversário em si, um time que tem jogado com uma vontade, com um ímpeto ofensivo, que até agora não deu chances a quem atravessou seu caminho rumo ao título.
Do goleiro Abbondanzieri ao atacante Saviola, passando pelos jogadores reservas e por toda a comissão técnica, assim como pela imprensa e torcedores, todos admitem: a Argentina costuma se complicar quando as coisas parecem fáceis. Só se sente bem quando desafiada, quando precisa provar que pode superar a tudo e a todos.
''A Alemanha tem muita coisa a seu favor. A torcida, o clima de euforia que tomou conta do país e a campanha, com quatro vitórias em quatro jogos. Mas temos mesmo é que nos preocupar com o nosso time. Se entrarmos confiantes e jogarmos o nosso melhor futebol podemos ganhar de qualquer um'', disse ontem Maxi Rodríguez, o herói da suada vitória de 2 a 1 sobre o México.
No último sábado, poucos minutos depois da classificação para as quartas-de-final ser obtida na prorrogação, o técnico José Pekerman já havia surpreendido ao afirmar que o jogo contra a Alemanha poderia ser menos complicado para a Argentina do que fora o jogo contra o México. Não havia tom de provocação em suas palavras. Era apenas uma confirmação de como os argentinos se comportam diante de grandes desafios.
''Do meu ponto de vista, saímos fortalecidos da vitória sobre o México, um adversário que sempre nos complica a vida. A cada resultado positivo ficamos mais confiantes. Sabemos o que fazer para superar a Alemanha. E podemos fazê-lo'', afirmara na ocasião.
Não seria a primeira vez que os argentinos aprontariam uma surpresa desagradável para os anfitriões. Para reforçar a tese de que quanto mais adverso o momento, melhor se comporta a Argentina, já estão lembrando a épica vitória sobre a Itália, em Nápoli, pelas semifinais do Mundial de 90. Diante de quase 100 mil italianos, a Argentina sustentou o 1 a 1 até o fim da prorrogação. Nos pênaltis, se aproveitou da pressão sobre os donos da casa e acabou se classificando para a decisão contra a Alemanha.
Mas naquela época havia um diferencial a favor da seleção Argentina, que hoje Pekerman não dispõe, pelo menos dentro de campo: Diego Maradona. O maior craque argentino de todos os tempos era quase um Deus para os napolitanos, que não souberam como se comportar tendo o ídolo como adversário. ''Nos também estaremos sob pressão, pois se perdermos o sonho acaba. Mas eles têm a torcida ao lado. Pode ser uma vantagem. Mas também uma desvantagem'', lembrou Maxi Rodríguez.
Para reforçar sua confiança, um dos artilheiros da seleção na Copa com três gols, disse que dificilmente os alemães começarão a partida de sexta-feira, em Berlim, atacando a Argentina sem dar tréguas, como fizeram até agora diante de Costa Rica, Polônia, Equador e, principalmente, Suécia. ''Contra a Argentina, ninguém ataca o tempo todo'', finalizou Maxi.


