Gelsenkirchen - Não teve fantasma de 2002, estádio com teto fechado ou coincidências. Com uma atuação impecável, beirando a perfeição, a Argentina massacrou ontem a Sérvia e Montenegro e se classificou com uma rodada de antecedência para a próxima fase da Copa do Mundo. A goleada de 6 a 0, num verdadeiro show de bola, coloca a Argentina, que passou pelo chamado grupo da morte sem grandes problemas, entre as favoritas reais ao título, favoritismo que foi conseguindo dentro de campo e não com palavras.
''Temos que continuar trabalhando em silêncio, com tranquilidade, como fizemos até agora. Foi sem dúvida uma ótima atuação, mas manter o pé no chão neste momento é fundamental'', disse Sorín, com humildade nas palavras e muita confiança nos olhos.
A consciência que o capitão demonstrou nas entrevistas, a seleção argentina teve dentro de campo, desde que a bola rolou. Logo aos seis minutos, Saviola fez grande jogada e deixou Maxi Rodríguez livre para abrir o marcador. Foi o início do show. Tocando a bola de pé em pé, invertendo o jogo com sabedoria e com uma movimentação irresistível, a Argentina foi engolindo a desarticulada seleção sérvia. Nem mesmo a contusão de Lucho Gonzalez, logo aos 15 minutos que distendeu a virilha esquerda prejudicou o time.
E foi justamente Cambiasso, que perdera o lugar para Lucho, quem entrou e fez o segundo gol, aos 31 minutos. Uma jogada espetacular, que culminou com um toque de calcanhar para o jogador da Internazionale bater sem chances para Jevric. ''Não sei se será o gol mais bonito do Mundial, mas sem dúvida foi um golaço'', disse Crespo.
A Argentina não se acomodou com a vantagem. Continuou envolvendo o adversário e só não chegou ao terceiro gol aos 36, porque o árbitro marcou impedimento inexistente de Crespo, que ainda recebeu cartão amarelo depois de concluir com categoria para as redes. Mas aos 41, Saviola, o melhor do primeiro tempo, recuperou uma bola na ponta direita, se livrou do marcador e bateu para o gol. No rebote, Maxi Rodríguez fez 3 a 0, acabando com qualquer possibilidade de o adversário reagir.
A Sérvia voltou entregue do intervalo. Já a Argentina retornou com o mesmo ímpeto e teve as coisas facilitadas quando Kezman foi expulso aos 20 minutos. Se com 11 contra 11 a Argentina deitava e rolava, com um homem a mais deu até pena. O técnico José Pekerman, que já havia trocado Saviola por Tevez aos 14, fez aos 25 o que todo o estádio esperava. Pôs Messi no lugar de Maxi Rodríguez. E com Tevez e Messi, o jogo virou um show, com jogadas de efeito, eficiência e belos gols.
Aos 33 minutos, Messi foi à linha de fundo e cruzou para Crespo fazer 4 a 0. Seis minutos depois, Tevez, que entrara visivelmente nervoso, jogou a bola entre as pernas de Krstajic, cortou Duljaj e tocou rasteiro. Um gol lindo, de alta categoria.
''Queria muito estrear na Copa e acabei entrando um pouco nervoso. Fiquei arrepiado quando a torcida gritou meu nome. Mas logo me senti à vontade. A sensação de marcar um gol num Mundial é realmente especial. Mas estou feliz mesmo é com a atuação da equipe. Jogamos muito bem'', afirmou o jogador do Corinthians.
Para coroar o baile argentino, faltava o de Messi. E ele veio a dois minutos do fim, numa jogada coletiva do ataque. ''Ninguém esperava um resultado destes. Os dois gols logo no início foram decisivos'', resumiu bem o técnico José Pekerman.


S. E MONTENEGRO 0

Jevric; Duljaj, Gavrancic, Krstajic e Dudic; Koroman (Ljuboja), Stankovic, Nadj (Ergic) e Djordjevic; Kezman e Milosevic (Vukic). Técnico: Ilija Petkovic

ARGENTINA 6

Abbondanzieri; Burdisso, Ayala, Heinze e Sorín; Maxi Rodríguez (Messi), Mascherano, Lucho González (Cambiasso) e Riquelme; Saviola (Tevez) e Crespo. Técnico: José Pekerman

Árbitro: Roberto Rosetti (ITA)
Estádio: Arena AufSchalke, em Gelsenkirchen
Expulsão: Kezman
Gols: Maxi Rodríguez aos 6 e aos 41 e Cambiasso aos 31 minutos do 1º tempo; Crespo aos 33, Tevez aos 39 e Messi aos 43 minutos do 2º tempo

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