Fernando Tupan
De Cascavel
Argentina e Paraguai fazem hoje o principal jogo da primeira rodada do Grupo B, às 21h40, no Estádio Olímpico, em Cascavel. Os argentinos, apesar de negarem o favoritismo da chave, estão convencidos de sua classificação para as Olimpíadas de Sydney. Os paraguaios agem com humildade e reconhecem as dificuldades para conquistar uma das vagas.
A confiança excessiva dos adversários pode ser a maior aliada da seleção do Paraguai para chegar à próxima fase. Os argentinos aumentaram o favoritismo após a goleada de 6 a 1 frente à Venezuela, na última partida de preparação do Pré-Olímpico. A Comissão Técnica vem procurando afastar os atletas de contatos frequentes com jornalistas desde a chegada ao Brasil – para evitar o otimismo exagerado.
O treinador argentino José Perkeman fez fama trabalhando nas categorias de base. Sua metodologia de trabalho é bastante simples: procura corrigir os defeitos individuais de cada atleta, realizando trabalhos técnicos e táticos. Nos últimos dias ele insistiu nas jogadas ensaiadas e nas variações de troca de bola pelas duas laterais do campo. ‘‘Vamos jogar no erro do adversário’’, alerta.
As estrelas da Argentina são os atacantes Javier Saviola e Pablo Aimar. Saviola é considerado a maior promessa do futebol argentino depois de ser o artilheiro do último campeonato, pelo River Plate. Ele depende muito do companheiro para jogar e marcar seus gols. Aimar é um armador clássico, adepto das jogadas de velocidade, deslocamentos por todas as zonas do ataque e do toque rápido e sutil.
Já o técnico do Paraguai, Raul Amarilla, tem apenas uma estrela: o atacante Roque Santa Cruz, considerado o Ronaldinho paraguaio. Mas teve dor de cabeça até contar com o seu futebol. O Bayer de Munique, que adquiriu o passe de Santa Cruz por US$ 6,8 milhões, não queria liberá-lo para torneio. Depois de muita insistência da Associação Paraguaia de Futebol, o atacante de 18 anos chegou para participar só da fase de classificação.
Ao contrário de outras seleções, Amarilla procurou evitar o desgaste de Santa Cruz desde sua integração à delegação em Ciudade Del Leste, no último final de semana. Foram programados treinamentos táticos e técnicos leves. Outra método para superar o pouco tempo de preparação do seu principal craque é a conversa constante.
Outra arma importante paraguaia é o zagueiro Paulo da Silva, atualmente jogando no Lanús, da Argentina. Os jornalistas de seu país compararam suas últimas atuações com as do zagueiro Gamarra. Bom no desarme e nas bolas aéreas, Silva é filho de um jogador brasileiro que atuou no Cerro Portenho na década de 70.
Em dezembro do ano passado o Paraguai mostrou ao Brasil que tem chances de chegar às finais do Pré. Num amistoso realizado no Mato Grosso, mesmo atuando com dez homens (um jogador foi expulso), fez 3 a 1 no selecionado de Wanderley Luxemburgo e só cedeu o empate no final da partida, depois de suportar muita pressão. ‘‘Vamos nos superar neste Pré-Olímpico’’, aposta da Silva.

FICHA TÉCNICA
Argentina
Munoz; Richetti, Alessandría, Milito e Placente; Biagini, Pereyra, Cambiasso e Riquelme; Aimar e Saviola. Técnico: José Perkemann
Paraguai
Villar; Florentin, Cañete, Paulo da Silva e Gavilan; Rodriguez, Britez, Gimenez e Candía; Santa Cruz e César Ramirez. Técnico: Raúl Vicente Amarilla
Árbitro: Byron Moreno (EQUA)
Estádio: Olímpico, em Cascavel
Horário: 21h40

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