Argel se diz cansado de especulações
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quinta-feira, 18 de março de 1999
Por José Rodrigues 
Santos, 19 (AE) - Desta vez, o zagueiro Argel não sonhou. Na quinta-feira, quando começou a receber telefonemas de jornalistas portugueses querendo saber se iria mesmo jogar no Porto, descartou de imediato a possibilidade e hoje, ao chegar ao CT Rei Pelé, conversou com o vice-presidente José Paulo Fernandes sobre o assunto. "É tudo conversa fiada", disse ele, logo depois, já entrando no campo para o coletivo.
Argel estava é preocupado com o treino e voltará hoje ao time, depois de ter ficado duas partidas fora, por suspensão. "Já falaram que eu ia para a Seleção, para o Paris Saint Germain, mas não fui e agora só penso em continuar meu trabalho aqui no Santos, tranquilamente". Peça importante no esquema do treinador Emerson Leão, o zagueiro é titular desde que chegou à Vila Belmiro, quando começou a colocar ordem na defesa.
Cabelos cortados muito rente, como o dos militares, Argel adota um estilo não menos militar. Cumpre as determinações táticas à risca e encara toda partida como uma guerra. Essa última característica tem dado a ele a fama de jogador violento, o que ele contesta. Puxa as estatísticas para argumentar: "foram 71 partidas no Santos e apenas duas expulsões". Mais: "nunca quebrei ninguém". Admite, porém, que joga duro, "mas de forma sempre leal".
E as duas expulsões ocorreram recentemente, depois que foi taxado de violento. "Contra o Sinop, pela Copa do Brasil, foi uma expulsão justa, pois cometi uma falta desnecessária já nos descontos, quando o resultado estava a nosso favor". Contra o Palmeiras, na estréia no Paulista, não entendeu até hoje: "foi uma jogada normal, de ombro e não sei o que o juiz pensou para me expulsar". Essa fama incomoda, mas ele acredita que não prejudicará numa futura convocação para a Seleção Brasileira. "Não estou preocupado com isso, quero fazer meu trabalho e ajudar o time a conquistar o título que a torcida tanto deseja".
Argélico Fucks, 23 anos, é gaúcho de Santa Rosa e foi no Internacional de Porto Alegre que iniciou sua carreira. Jogou dois anos no Verdy Kawasaki, do Japão, onde conheceu o técnico Leão. "Se não fosse jogador de futebol, não sei o que seria", disse ele, lembrando-se dos tempos de adolescência, quando trabalhava num açougue.
"Provavelmente, não teria saído de minha terra, pois não tive condições de cursar uma faculdade". Por conta do passado, prefere não criar ilusões. "Estou satisfeito no Santos e vou continuar trabalhando normalmente. Se houver uma transferência ou uma convocação, tudo bem, pois será fruto desse esforço".


