Arena de Brasília para Copa tem a cara da cidade
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 08 de outubro de 2012
Almir Leite e Paulo Favero<BR>Agência Estado 
São Paulo - Quando começou a pensar na remodelação do estádio Mané Garrincha, em Brasília, o arquiteto Eduardo Castro Mello sabia que teria uma missão quase impossível pela frente: mudar o projeto concebido por ele mesmo em 1972 e fazer com que o edifício, que é cinco vezes maior que o Palácio do Planalto, não entrasse em conflito com a arquitetura já existente em Brasília. "Minha opção foi criar um grande terraço, onde incluímos as rampas de acesso, e essas colunas iriam sustentar o anel de compressão de onde partiria a cobertura", contou.
A fachada dá a volta em 360º no estádio e acabou sendo a grande sacada do projeto, que vem recebendo elogios de todos os cantos do mundo. "O resultado final casou muito bem com a ideia. Acho que o grande charme é realmente a paisagem na qual a arena está inserida. É proporcional com a cidade, sem agredir visualmente. Outro ponto principal é a funcionalidade do estádio, que é ultramoderno".
Eduardo explica que a opção por ter um estádio 80% novo se deu pelas limitações em reformar a estrutura antiga, que foi levantada em outras condições materiais e com cálculos estruturais que atualmente não se usam mais. Outro ponto importante foi melhorar a visibilidade do público, retirando a pista de atletismo. "Ela só tinha sido usada uma vez em competição oficial. Então a distância para o campo diminuiu de 47 metros para apenas 7,5 metros", afirmou.
Para o arquiteto, antigamente os estádios podiam ser comparados a um "pires", com arquibancadas baixas e distância grande para o campo. Agora, o modelo usado é como uma "xícara", com arquibancada bem inclinada e público próximo da ação. Na concepção do novo Mané Garrincha, foi utilizada a mesma filosofia de projeto de Brasília ao longo do Eixo Monumental: as edificações têm pilares, terraço e depois o prédio no centro. "Isso leva a um conceito da arquitetura colonial, pois os bandeirantes faziam grandes varandas em volta da casa para se protegerem um pouco mais do sol".
Segundo Claudio Monteiro, secretário extraordinário da Copa 2014 em Brasília, o Mané Garrincha foi idealizado a partir de um conceito arquitetônico existente em vários monumentos da capital federal e característica marcante do arquiteto Oscar Niemeyer: a criação de um ambiente com colunas que precede o edifício formado por um conjunto de pilares na fachada da edificação. "No estádio, esse conceito serviu de inspiração para os 288 pilares que estão dispostos ao redor do edifício, formando a área de convivência e de acesso do público - uma fachada aberta e ventilada".
Atualmente, 4 mil operários estão trabalhando na obra, em três turnos de atividade. Outro detalhe importante é que o gramado foi rebaixado em 4,8 metros em relação à sua altura original.


