Árbitros são alvos de novos protestos
Valmir Denardin
De Foz do Iguaçu
Os juízes escalados pela Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol) para apitar os jogos da Copa América conseguiram desagradar a pelo menos três das quatro seleções do Grupo B, encerrado anteontem, em Ciudad del Este, no Paraguai. Chile e México mandaram protestos por escrito contra a arbitragem e o Brasil, mesmo sem adotar posição oficial, reclamou muito. A Venezuela - única seleção do grupo que não se manifestou - foi eliminada do torneio sem vencer nenhum dos três jogos da primeira fase.
Ontem pela manhã, o chefe da delegação mexicana, Hugo Henrique Kiesse, enviou carta à sede da Conmebol, em Assunção, reclamando da atuação do árbitro paraguaio Bonifácio Nuñez na partida de anteontem à noite, em que o México derrotou a Venezuela por 3 a 1. Em um lance questionado, aos 40 minutos do segundo tempo, Nuñez expulsou o atacante mexicano Blanco.
O jogador nega que tenha dado uma cotovelada no adversário - motivo alegado pelo árbitro para a punição, depois de consultar o bandeira, que estava mais próximo ao lance. A expulsão do Blanco foi totalmente injusta, disse ontem o técnico Manuel Lapuente. Quem assiste à fita da partida vê que o jogador não fez nada para merecer a expulsão, completou Kiesse.
O protesto formal do México contra a arbitragem do torneio foi o segundo tomado no âmbito do Grupo B. Na última segunda-feira, o chefe da delegação chilena, Osvaldo Band Vasquez, enviou carta à Confederação, reclamando da atuação do árbitro boliviano Juan Luna na partida contra a Venezuela, em que o Chile venceu por 3 a 0.
O lance mais criticado é a expulsão do atacante Salas. Band Vasquez argumenta que o jogador só insultou o juiz porque, após sofrer um pênalti - não marcado -, o adversário venezuelano o teria agarrado pelos cabelos, sem receber punição. O vídeo da partida deixa isso claro, insiste Band Vasquez no documento. Apesar dos apelos, Salas foi punido com duas partidas de suspensão pela Comissão Disciplinar da entidade. Blanco foi punido ontem com um jogo de suspensão.
Mesmo sem protestos formais, jogadores e comissão técnica da Seleção Brasileira também demonstraram seu descontamento contra a arbitragem na primeira fase. Principalmente em relação ao argentino Horácio Elizondo, que apitou o jogo contra o Chile, anteontem à noite. O Brasil venceu por 1 a 0.
A emissoras de TV brasileiras, o técnico Wanderley Luxemburgo e o consultor técnico Candinho chegaram a afirmar que Elizondo, por ser argentino, não deveria ter sido escalado para apitar um jogo do Brasil porque poderia ter interesse em prejudicar a Seleção. Isso porque Argentina e Uruguai disputariam, ontem à noite, a segunda vaga na Grupo C da competição. O vencedor desse confronto enfrentará o Brasil nas quartas-de-final, no próximo domingo, em Ciudad del Este.
Segundo Luxemburgo, Elizondo teria errado pelo menos em dois lances: ao marcar o pênalti para o Chile - que o manhoso atacante Zamorano, da Internazionale de Milão, cavou numa disputa de bola com João Carlos e Roberto Carlos dentro da área brasileira - e por não ter marcado um pênalti em Christian, que recebeu um carrinho sem bola de um adversário dentro da área chilena.
As reclamações não causaram repercussão junto à Confederação Sul-Americana. Decisões de juízes são inapeláveis, afirmou à Folha, por telefone, o assessor de imprensa Jorge Barraza. Eles (as seleções que se julgaram prejudicadas) podem fazer o que quiserem, que não terá nenhum valor.





