Árbitros questionam 'anistia' para cartões
PUBLICAÇÃO
sábado, 09 de janeiro de 1999
Agência Estado 
A anistia aos cartões amarelos e vermelhos, que será adotada pela Federação Paulista de Futebol (FPF) no Campeonato Paulista deste ano, ainda deixa alguns árbitros que vão apitar a competição em dúvida quanto à sua eficácia. O campeonato começa dia 24. Até a véspera, 22 árbitros e 32 auxiliares fazem uma pré-temporada em Itapecerica da Serra, na Grande São Paulo, para discutir este e outros assuntos e cuidar da preparação física. O paulista Oscar Roberto Godoy, de 43 anos e conhecido por seu jeito severo e disciplinador em campo, por exemplo, prevê um choque cultural e não sabe ainda se a medida terá algum efeito positivo.
No Brasil, os clubes são muito paternalistas, protegem demais os atletas, afirma. A tendência, segundo Godoy, é que os clubes acabem pagando as multas e não os jogadores. Com isso, os jogadores terão uma liberdade maior para cometer atos de indisciplina, justifica.
Para o também paulista Paulo César de Oliveira, de 25 anos, uma das revelações da arbitragem brasileira, o sucesso ou não da nova medida também depende de como será feito o pagamento das multas. Se o atleta tiver de pagar, ele vai tomar mais cuidado antes de cometer uma falta, diz.
Ao receber o primeiro cartão amarelo, o atleta recebe uma multa de R$ 250,00. A partir do segundo cartão, o valor sobe para R$ 500,00. Os amarelos não serão mais cumulativos. A multa pelo cartão vermelho é de R$ 2 mil e não haverá mais a suspensão automática. Ao fim da rodada, um tribunal disciplinar vai julgar se o jogador será absolvido ou receberá alguma suspensão.
Este tribunal tem de ser rígido e punir exemplarmente, comenta Godoy. Não vai poder haver tolerência. Segundo ele, esta tolerância também não pode existir por parte dos árbitros. A indisciplina pode até aumentar, mas não necessariamente a violência. Um jogador violento vai ter de continuar a tomar cuidado para não acabar expulso e prejudicar o seu time, afirma o sergipano Sidrak Marinho dos Santos, de 45 anos.
Os árbitros acreditam que não terão problemas por causa da mudança. Vamos continuar cumprindo a regra e esquecer problemas burocráticos que possam surgir, diz Sidrak.
A grande novidade da pré-temporada foram os exames oftalmológicos com os árbitros. Os resultados serão individuais e passaremos para o Farah (José Eduardo, presidente da FPF) em um envelope lacrado, explica Roberto Aquino, diretor do Hospital Cema, responsável pelos exames. Os médicos vão dizer também se cada árbitro estará apto ou não a apitar um jogo.


