Renovação dos árbitros e padronização das arbitragens. Esta é a meta do Departamento de Árbitros da Federação Paranaense de Futebol (FPF) para a temporada 99. Cerca de 80 componentes do quadro de árbitros da FPF passaram por uma pré-temporada de 16 a 23 de janeiro, em Curitiba. E, segundo o que ficou decidido, daqui por diante a lei vai ser seguida ‘pé da letra’ e quem ‘pisar na bola’ será punido.
O londrinense Heber Roberto Lopes, 25 anos, que há quatro anos integra o quadro paranaense de árbitros e, desde 97, também o nacional, participou da pré-temporada juntamente com outros sete árbitros de Londrina. ‘‘A arbitragem paranaense este ano terá uma média de idade muito baixa; e haverá uma padronização das regras por todos os componentes do Departamento de Árbitros’’, observa Lopes (foto).
A formação da barreira, a marcação do impedimento e o famigerado carrinho foram os principais pontos discutidos naquele encontro. Motivo: geralmente cada árbitro tem uma interpretação própria destes lances, causando, muitas vezes, dúvidas e principalmente críticas por parte tanto de jogadores, dirigentes ou torcedores. Carrinho por trás não é falta punida com cartão, no mínimo amarelo? Por que muitos nem chegam a marcar e, quando o fazem, não punem o jogador? Com a palavra, Héber Lopes: ‘‘Cada um tem - ou tinha - seu critério’’, diz ele, complementando: ‘‘Daqui por diante, a lei vai ser seguida rigidamente por todos. Todos saíram desta pré-temporada muito bem informados e instruídos’’.
A interpretação, a partir de agora, será uma só: dar carrinho sem a presença do adversário na jogada será considerado uma jogada normal; atingir somente a bola, mas pôr em risco a integridade física do adversário, valerá cartão amarelo ao infrator e tiro livre indireto contra o seu time; e atingir a bola e o adversário, ou vice-versa, tiro livre direto e cartão vermelho, não importando se a entrada for pelo lado, pela frente ou por trás do adversário.
Outro tipo de infração que a maioria dos jogadores desrespeita e para a qual a maioria dos árbitros faz vista grossa é a formação da barreira. A lei diz que a mesma deve ficar a 9 metros e 15 centímetros - ou dez passos - de onde a falta foi cometida, mas, quando a cobrança é realizada, muitas vezes a barreira já ‘andou’ bastante. ‘‘A ordem agora é punir mesmo’’, diz Héber.
E porque não se punia antes? ‘‘Agora, se o árbitro não punir, ele é que será punido. Antes, em vez de ele ficar na linha da barreira, ia para a linha de impedimento e o auxiliar para a linha de fundo para ver se a bola entrava ou não no gol. Agora o árbitro vai ficar na linha da barreira e o auxiliar na linha de impedimento’’, observa Lopes.
E se a barreira andar? ‘‘Primeiro ele faz uma advertência verbal; se não resolver, cartão amarelo e, se persistir, cartão vermelho para o homem-base da barreira.’’
Alguns tópicos também polêmicos foram o impedimento - ‘‘Caso o auxiliar tenha dúvida o lance deverá prosseguir’’, diz Lopes - e em excessos nas comemorações de gols. ‘‘Se o jogador subir no alambrado e tirar a camisa, é cartão vermelho’’, diz Héber Lopes.
Para que esta padronização não fique apenas na vontade, em cada região do Estado os árbitros vão se reunir com os clubes que disputarão as três divisões do Campeonato Paranaense para palestras com jogadores e comissões técnicas, no intuito de mostrar que a arbitragem será rígida. Lopes afirma: ‘‘Vamos dizer a eles que daqui por diante muita coisa que era tolerada (e não devia) vai ser punida e que não adianta reclamar mais. Todos serão avisados e estarão cientes; por isso, terão que entrar em campo apenas para jogar futebol’’.

mockup