Árbitros negam coação e divergem sobre contas
Curitiba - Todos os árbitros que faziam parte do Conselho Fiscal da época têm versões diferentes para explicar a mudança de parecer da mesma prestação de contas da Associação Paranaense de Árbitros de Futebol (Apaf). No entanto, são unânimes ao dizer que não sofreram ameaça alguma para alterar a avaliação da documentação, como diz o ex-tesoureiro Airton Nardelli.
Faziam parte do Conselho Fiscal, na gestão de 2000 a 2004, os árbitros Henrique França Triches (atual presidente da Apaf), Carlos Jack Rodrigues Magno (hoje aposentado), Rogério Carlos Rolim, Cleivaldo Bernardo, Juarez Rodrigues e Sirlei Piva.
Triches disse que o processo foi um pouco confuso, houve apenas uma reunião para avaliar a prestação de contas de 97 a 2000. ''Não tinha legalidade aquele conselho, não possuía ata registrada. Estamos fazendo isso agora'', revelou o presidente da Apaf.
De acordo com o árbitro, na época, o relatório não foi aprovado totalmente e o conselho aguardaria novos documentos para então avaliar novamente. Sobre ser coagiado a dar parecer favorável, Triches negou essa acusação. ''Pra mim ninguém falou nada disso.''
Já Bernardo adiantou que nunca sequer conversou com Onaireves Moura, e nem o diretor-administrativo Johelson Pissaia. Apesar de ter feito parte do Conselho Fiscal, como suplente, Bernardo afirma desconhecer a prestação de contas e até mesmo o documento com sua assinatura.
Piva lembra que a documentação foi reprovada na primeira reunião e, após uma explicação mais detalhada sobre os itens relacionados na prestação de contas, o conselho voltou atrás e aprovou. Ela também nega qualquer pressão durante a avaliação.
Rodrigues também diz não ter sofrido pressão e recorda ter participado apenas de uma reunião para discutir o assunto. Ele teria recebido a documentação via fax, com alguns detalhes já revistos, e então assinou com parecer favorável.
''A associação (Apaf), na verdade, está toda irregular'', afirmou Magno, que, a exemplo de Triches, também achou o processo de avaliação dessa prestação de contas um tanto confusa. O árbitro aposentado, recentemente condenado pelo ''caso Bruxo'', também alega não ter sido coagido por ninguém. Ele lembra do afastamento de Nardelli quando o relatório estava sendo levantado e da aprovação após a confecção do material por outro contador. ''Quando esse conselho aprovou, foi sobre esse profissional'', recorda.
Rolim foi um dos mais ativos integrantes no Conselho Fiscal da época e se recorda de como aconteceu a aprovação da prestação de contas. ''Foi dado um prazo para que o Nelson (Lehmkuhl) explicasse o 'furo' que deu nas contas. E foi apresentado. Um contador, idôneo, apresentou um laudo e aprovou as contas. Então assinamos.''
O ex-membro do conselho concorda que a prestação de contas era um pouco confusa, mas descarta qualquer tipo de pressão sobre os árbitros. ''O Nelson, apesar das qualidades, deixava a desejar um pouco, queria abraçar as coisas sozinho e não delegava funções. Então eu tomei frente e fui atrás do contador. Porque nós do conselho somos apenas cidadãos e o contador é um profissional. Mas o que o senhor Nardelli falou é inverídico. Tenho 15 anos de federação e nunca falei com o Moura (Onaireves). Isso é briga de poder, um quer o sindicato (dos Árbitros do Paraná), outro não quer. Eles que se resolvam'', comentou Rolim.
O responsável pela confecção do relatório, Expedito Barbosa Martins, diz não ter conhecimento sobre a manipulação do parecer do conselho e afirmou apenas que a documentação estava toda regular. ''Tudo o que está escrito no documento está normal, não tem nenhum problema'', assegurou. A primeira versão da prestação de contas, que, segundo Nardelli, teria sido reprovada, não era válida como documento, de acordo com Martins. ''Aquilo era apenas informações para prestação de contas'', explicou. (C.Y.)





