São Paulo, 14 (AE) - Os árbitros e assistentes que vão trabalhar no Campeonato Paulista passaram por uma bateria de exames oftalmológicos e auditivos hoje, no Hospital Cema, na Moóca. A Federação Paulista de Futebol está tomando os cuidados para que todos estejam com a vista em ordem e o ouvido apurado para a nova experiência que o presidente Eduardo José Farah vai colocar em prática no campeonato que começa no outro sábado, dia 23: em vez de um, serão dois árbitros trabalhando em campo.
Foram realizados exames minuciosos com aparelhos de última geração. Os testes de audiometria detectaram o limiar auditivo de cada árbitro e assistente. "Por meio do som a gente consegue captar a jogada com maior precisão", explica o assistente Valter José dos Reis, que trabalhou na Copa do Mundo de 1998. "Nos lances de impedimento, tenho de estar com o ouvido atento ao barulho da bola sendo chutada pelo jogador e o olho acompanhando o penúltimo defensor que, em geral, é o último zagueiro antes do goleiro."
O árbitro Alfredo Santos Loebling conta que em um estádio lotado é muito difícil escutar o chamado do assistente, as reclamações de um jogador que esteja estirado no chão machucado e até mesmo os palavrões direcionados ao juiz. "É importante estar escutando tudo", destaca Loebling.
Os exames de vista incluíram o teste de tonometria para medir a pressão do olho, o de visão tridimentsional para detectar a profundidade da vista de cada árbitro, o de campo visual e também a visão de cores para não confundir os uniformes das equipes que estejam jogando. Na próxima quinta-feira, todos os árbitros serão submetidos a um teste físico no Conjunto Constâncio Vaz Guimarães antes do início do Campeonato Paulista.
Todos estão decididos a provar que estão fisica, psicologica e clinicamente em ótimas condições para apitar os jogos do estadual. Na opinião dos árbitros paulistas, a realização do Mundial Interclubes no Brasil serviu para mostrar que o país não deve nada ao resto do mundo em se tratando de arbitragem.
"As pessoas costumam achar que os juízes estrangeiros são melhores que os brasileiros", destaca Paulo César de Oliveira. Ele cita o gol de Fábio Luciano, do Corinthians, na vitória sobre o Raja Casablanca por 2 a 0, A bola cabeceada pelo zagueiro bateu na trave e caiu fora da linha de gol, mas o italiano Stefano Braschi validou o lance apesar do assistente não confirmar o gol.
"Se um árbitro brasileiro confirmasse aquele gol o mundo viria abaixo." Aquela decisão do italiano acabou definindo a sorte da competição. Graças ao gol validado, o Corinthians superou o Real Madrid no critério de desempate classificando-se para a decisão do Mundial contra o Vasco.

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