jogadores e técnicos e deixam os árbitros em segundo plano. Sobre esse tema, Cerdeira afirma que os árbitros são como "gaiatos" num universo que requer cada vez mais "o profissionalismo".Por Silvio Barsetti Rio de Janeiro, 20 - Os árbitros que atuam no Campeonato Brasileiro defendem a profissionalização urgente de suas funções para melhorar o nível de arbitragem no futebol do País. Alguns, como Claúdio Vinícius Cerdeira, do quadro da Fifa, sugerem uma reflexão maior sobre a atividade deles. Para Cerdeira, o futebol virou um grande negócio nos últimos anos, "com muitos investimentos de empresas ligadas ao sistema financeiro" e hoje mais parece com "um programa de tevê". Assim como Cerdeira, Jorge Travassos, também da Fifa, afirma que o árbitro não pode ter o nível de cobrança, "de agir sempre corretamente", se não dispõe das lentes a serviço das emissoras de tevê. "É humanamente impossível." Travassos é o presidente da Associação Nacional de árbitros de Futebol (Anaf) e signatário de documento divulgado esta semana em apoio à permanência no cargo do presidente da Comissão de árbitros da Confederação Brasileira Futebol (CBF), Armando Marques. Travassos e Cerdeira, ambos de 45 anos, não vão mais poder apitar jogos de competições organizadas pela CBF a partir de 2000. A entidade segue norma da Fifa de impedir que árbitros com mais de 45 anos possam trabalhar. "A experiência e o amadurecimento são fatores que poderiam ser levados em consideração", comentou Cerdeira, que é engenheiro da Light e arca com as despesas de sua preparação física. Ele propõe uma discussão sobre a iniciativa do Tribunal de Justiça Desportiva (TJD) de punir árbitros, com base no teipe de jogos. "Trabalhamos com duas lentes sem zoom e não podemos ver tudo; se continuar assim, daqui a pouco todos os árbitros vão estar suspensos", prevê Cerdeira. Na quinta-feira, o tribunal decidiu pelo afastamento de Paulo César Oliveira e Leonardo Gaciba por 30 dias. Eles foram punidos por não terem relatado incidentes ocorridos nos jogos Botafogo 2 x 3 Internacional, dia 4, e Atlético-MG x Vitória, dia 15. Nesta partida, Gaciba não expulsou vários jogadores que se agrediram. O paulista Oscar Roberto de Godói reivindica um tratamento mais digno aos árbitros e diz que o desrespeito deveria ser punido com rigor. "Nós merecemos um tratamento como seres humanos e como desportistas", diz. Para Godói, de 44 anos, o árbitro é fundamental numa partida de futebol. "Ela pode ser disputada sem uma bola nova, num campo ruim, sem torcedores no estádio, mas jamais sem alguém para apitá-la", analisa. Desde 1993 na Fifa, Godói acredita que os árbitros brasileiros só vão conseguir dar um salto de qualidade com a profissionalização e a regulamentação da atividade. "Era preciso que a nossa classe se unisse mais para lutar por tudo isso", apregoa. Godói concorda com Cerdeira quando aborda o "crescimento" do interesse pelo futebol por grandes grupos que investem em clubes

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