Árbitro revela suposta identidade do Bruxo
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quinta-feira, 22 de setembro de 2005
Claudio Yuge<br>Equipe da Folha 
Curitiba - O árbitro José Francisco de Oliveira, o Cidão, encaminhou ontem ao Tribunal de Justiça Desportiva (TJD) informações sobre a identidade do ''Bruxo'', o responsável pelo pagamento aos árbitros no suposto esquema de corrupção instalado na Série Prata da Campeonato Paranaense. De acordo com Cidão, o diretor-administrativo da Federação Paranaense de Futebol (FPF), José Joehlson Pissaia, seria o ''Bruxo''.
''Dez ou 15 dias antes eu já sabia das escalas e do dia em que ia apitar. Comigo nunca teve sorteio. Todos os jogos já sabia antes. Ele (Pissaia) falava com o Valdir (de Souza, ex-presidente da Comissão de Arbitragem da FPF) e combinava. Depois eu pagava os envelopes e entregava na casa do cidadão (Pissaia), na Vila Hauer (bairro de Curitiba)'', acusou ontem, Cidão, em entrevista à rádio CBN Curitiba.
As declarações surtiram efeito imediato e Pissaia convocou ontem à tarde uma entrevista coletiva para esclarecer o caso, na sede da FPF. ''Isso é a maior mentira do mundo. Esse rapaz guarda mágoa de mim'', afirmou. ''Não tenho conhecimento sobre esses envelopes e ele (Cidão) fez apenas dois favores para mim. Ele recebeu minha filha em Londres no ano passado e ele me entregou 500 dólares que ela enviou pra mim. Depois, ele me entregou outros 500 euros que havia sobrado da minha filha durante o tempo que ela ficou lá'', explicou.
Pissaia, que já entrou com uma queixa-crime para responsabilizar Cidão por calúnia e difamação, acha que as denúncias do árbitro foram motivadas por diferenças pessoais, após o incidente do famoso gol irregularmente validado por Cidão e pelo assistente Rogério Luder, na partida entre Atlético e Império do Futebol, na Série Ouro do Paranaense deste ano. Na ocasião, Cidão foi afastado da arbitragem e somente depois, em novo julgamento no Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD), foi absolvido.
''Ele queria que eu tirasse o ato (que o afastou da arbitragem) da FPF. Ele me ameaçou, falou que ia me escrachar'', completou. Pissaia afirmou que está abalado emocionalmente e pediu afastamento temporário de suas funções na FPF.
O ex-presidente da Comissão de Arbitragem, Valdir de Souza, também citado por Cidão, disse ontem não ter conhecimento do esquema revelado pelo árbitro. ''Não tenho conhecimento de nada. Eu passava os nomes para sorteios dos árbitros toda quinta-feira ao meio-dia para a Federação. Se alguém avisava ele sobre os jogos que ele (Cidão) ia apitar ou pedia para ele, não fui eu'', disse ontem à tarde. Souza, depois de 15 meses à frente da comissão, pediu afastamento do cargo recentemente.
O presidente da FPF, Onaireves Moura, enviou ontem à tarde um ofício à todos os clubes da Federação solicitando manifestações sobre o assunto, com o objetivo de tentar esclarecer o caso e reforçar a tese de que não existe ''Bruxo'' nas competições.
O auditor do TJD, Octacílio Sacerdote Filho, adiantou que encerra hoje o relatório sobre a investigação, que será enviado à Procuradoria do TJD, para apreciação. ''Indícios (da corrupção na arbitragem e de um articulador para pagamento de propina, o Bruxo) existem. Agora se vão existir provas, a gente não sabe'', comentou ontem à tarde. O caso também será levado para a Procuradoria de Investigações Criminais (PIC), que vai solicitar a quebra de sigilo telefônico dos envolvidos.


