árbitro registra tentativa de suborno
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domingo, 30 de maio de 1999
Por Brás Henrique 
Ribeirão Preto, 31 (AE) - O Come-Fogo, entre Comercial e Botafogo, realizado ontem, terminou na polícia. O árbitro Alfredo dos Santos Loebeling registrou um boletim de ocorrência, de preservação de direito, por suposta tentativa de suborno após uma conversa no vestiário com Luís Joaquim Antunes, presidente comercialino. O B.O. só foi divulgado hoje. Loebeling nada disse sobre o fato e a expectativa fica sobre o conteúdo do relatório do jogo que entregará à Federação Paulista de Futebol (FPF).
O clássico ribeirão-pretano teve mais dois incidentes. O técnico do Botafogo, Marco Antonio Machado, agrediu um PM quando tentava proteger um torcedor que invadiu o gramado e poderá ser intimado. O comando da PM enviará um relatório do incidente para a FPF. Antes do jogo, o torcedor botafoguense Antonio Júlio Teixeira foi agredido e internado no Hospital das Clínicas, com traumatismo craniano. Ele ainda está em observação.
A conversa entre Loebeling e Antunes aconteceu após o empate de 2 a 2 - com boa atuação do juiz, que expulsou o meia João Batista, do Comercial, logo aos 3 minutos, por esmurrar um adversário caído. No B.O., registrado pelo árbitro, consta que Antunes teria estranhado "como fôra o desenrolar do jogo, tudo normal". Antunes disse que teria recebido vários telefonemas - de alguém dizendo-se ex-diretor do próprio clube e, depois, um desconhecido - durante a última semana, afirmando que "venderia" a arbitragem por R$ 10 mil: R$ 2 mil antecipadamente e outros R$ 8 mil após a partida.
Os PMs que faziam a segurança do trio de arbitragem foram testemunhas das declarações. Antunes disse que fez papel de "bobo". No B.O. consta que ele teria pago o adiantamento. Mas há uma contradição: Antunes informou à imprensa que o tal contato teria sido feito durante o jogo, sem pagamento. Ainda no estádio do Comercial, o juiz e seus assistentes foram revistados pelos PMs antes de irem ao plantão policial. Antunes foi até o 1º DP, mas saiu antes do B.O. ser lavrado.
Hoje, ele evitou dar entrevistas. Outros episódios de supostos subornos envolvem o Comercial. Em 1986, quando foi rebaixado, os dirigentes alegaram armações de vários clubes. O técnico Zé Duarte, no XV de Jaú naquela época, reconheceu, em 1998, que seu time agiu de forma estranha no empate de 0 a 0 contra o América.
Em 1990, o Comercial adquiriu, na Justiça, o direito de voltar à elite, mas sua diretoria retirou o processo. No mesmo ano, o clube disputou o hexagonal final da antiga Intermediária, que classificaria quatro times - o Comercial ficou em quinto. Existem comentários de que a retirada do processo ocorreu porque o time seria beneficiado no campo, o que não ocorreu.
O Botafogo também teve seu escândalo, em 1995, com uma suposta compra de resultados pelo ex-árbitro Wilson Roberto Cattani (já falecido), que teria levado o time ao acesso. O presidente do clube na época, Laerte Alves, negou. O caso parou na Justiça, mas foi arquivado por falta de provas. Em campo, o Botafogo foi rebaixado para a Série A2 em 1997.


