‘‘Tenho direito de fazer minha defesa. Está na Constituição e ela tem que ser respeitada.’’ Assim reagiu ontem o árbitro Bertoldo Celestino Pires, em entrevista à Folha, por telefone, depois de ser suspenso por 90 dias pela Federação Paranaense de Futebol por sua atuação na partida Iraty 3 x Foz 1, no último domingo, em Irati.
O lance que originou sua punição foi o pênalti a favor do Iraty, no segundo tempo do jogo, quando o placar estava em 1 x 1. Dirigentes e jogadores do Foz contestaram a marcação. O massagista do Foz, Edson Salles, agrediu o árbitro. Com a vitória, o Iraty assegurou uma das vagas do Grupo B ao Octogonal. O empate classificaria o Foz.
Na segunda-feira, o Foz enviou um protesto à FPF contra a arbitragem. No mesmo dia, o presidente da FPF, Onaireves Moura, baixou um ato administrativo suspendendo Bertoldo Pires de suas funções. ‘‘Se a punição for mantida, vou parar. Não quero mais desgaste nem sofrimento para minha família’’, disse Bertoldo, 45 anos, que é divorciado e pai de três filhos. Ele pede diálogo com Onaireves Moura. ‘‘Seria muito bom se ele (Onaireves) nos chamasse para uma conversa’’, ressaltou, lembrando que a Comissão de Arbitragem considerou sua atuação em Irati como ‘‘muito boa’’.
Sobre o pênalti, o árbitro disse ter aplicado as orientações da International Board (órgão da Fifa responsável pelas regras no futebol), que recomenda que em caso de dúvida seja marcada a penalidade. Enquanto estuda um processo para sua defesa no TJD - a Comissão de Arbitragem atuará ao seu lado -, Bertoldo continuará seu trabalho de gerente da divisão de formulários da empresa Santa Maria de Papel Celulose, em Guarapuava, onde mora.

mockup