Árbitro punido pela FPF pede direito de defesa
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sexta-feira, 14 de março de 1997
Claudemir Scalone 
Tenho direito de fazer minha defesa. Está na Constituição e ela tem que ser respeitada. Assim reagiu ontem o árbitro Bertoldo Celestino Pires, em entrevista à Folha, por telefone, depois de ser suspenso por 90 dias pela Federação Paranaense de Futebol por sua atuação na partida Iraty 3 x Foz 1, no último domingo, em Irati.
O lance que originou sua punição foi o pênalti a favor do Iraty, no segundo tempo do jogo, quando o placar estava em 1 x 1. Dirigentes e jogadores do Foz contestaram a marcação. O massagista do Foz, Edson Salles, agrediu o árbitro. Com a vitória, o Iraty assegurou uma das vagas do Grupo B ao Octogonal. O empate classificaria o Foz.
Na segunda-feira, o Foz enviou um protesto à FPF contra a arbitragem. No mesmo dia, o presidente da FPF, Onaireves Moura, baixou um ato administrativo suspendendo Bertoldo Pires de suas funções. Se a punição for mantida, vou parar. Não quero mais desgaste nem sofrimento para minha família, disse Bertoldo, 45 anos, que é divorciado e pai de três filhos. Ele pede diálogo com Onaireves Moura. Seria muito bom se ele (Onaireves) nos chamasse para uma conversa, ressaltou, lembrando que a Comissão de Arbitragem considerou sua atuação em Irati como muito boa.
Sobre o pênalti, o árbitro disse ter aplicado as orientações da International Board (órgão da Fifa responsável pelas regras no futebol), que recomenda que em caso de dúvida seja marcada a penalidade. Enquanto estuda um processo para sua defesa no TJD - a Comissão de Arbitragem atuará ao seu lado -, Bertoldo continuará seu trabalho de gerente da divisão de formulários da empresa Santa Maria de Papel Celulose, em Guarapuava, onde mora.


