O polêmico árbitro argentino Javier Castrilli anunciou ontem que deixará de apitar partidas de futebol. ‘‘Sim, renunciei’’, disse Castrilli, que vinha denunciando irregularidades na arbitragem do seu país. Na semana passada, Castrilli afirmou que o presidente do Colegio de Arbitragem, Jorge Romo, pressionou um grupo de juízes para levar em conta a importância das equipes antes de apitar alguma irregularidade em campo. O juiz ainda colocou em dúvida a idoneidade de alguns colegas, insinuando corrupção.
Além disso, Castilli frequentemente expulsava dos gramados representantes da empresa sócia da Federação Argentina na transmissão dos jogos. Segundo ele, esses funcionários tentavam retardar o início dos jogos para atender interesses publicitários. Na semana passada, ele chegou a denunciar na polícia, por distúrbios dentro de campo, dois desses funcionários.
O presidente da Associação de Futebol da Argentina (AFA), Julio Grandona, que várias vezes chamou Castrilli de maluco, disse que tentará reverter a renúncia do árbitro, que foi o representante do país na Copa do Mundo e apitou a final da Libertadores. Apesar de dizer que Castrilli deve rever sua posição, Grandona declarou que não é possível tolerar que o juiz fique divagando e que fale coisas que não pode provar.
Conhecido como Xerife por causa de sua rigidez e inflexibilidade na aplicação das regras, Castrilli, de 39 anos, apitou 234 partidas em oito anos de carreira, fazendo 202 expulsões e marcando 106 pênaltis.
No Brasil, ficou conhecido nas semifinais do Campeonato Paulista desse ano, quando marcou dois pênaltis a favor do Corinthians nos minutos finais do segundo jogo contra a Portuguesa. A partida terminou empatada por 2 a 2 (depois de a Portuguesa estar vencendo por 2 a 0), resultado que classificou o Corinthians para as finais da competição.
A marcação dos dois pênaltis, principalmente do segundo, gerou muita controvérsia, ao ponto de ser cogitada oficialmente a anulação do resultado.

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