O Brasil não tem um finalista de Grand Slam (série de quatro torneios mais importantes do tênis mundial) desde 2001, quando Gustavo Kuerten conquistou o tricampeonato de Roland Garros. Isso é verdade, porém há controvérsias. Se dentro da quadra, nossos tenistas ainda estão longe de disputar em igualdade de condições com Novak Djokovic, Rafael Nadal ou Roger Federer, apenas para citar os três primeiros do ranking, fora dela, temos do que nos orgulhar.
O paulista Carlos Bernardes é um dos 12 árbitros denominados ''golden badge'' (distintivo ouro, a mais alta graduação) da Associação dos Tenistas Profissionais (ATP). Em sua carreira, Bernardes foi árbitro de cadeira de três finais de Grand Slam - duas vezes no Aberto dos Estados Unidos, em 2006 e 2008 -, e neste ano em Wimbledon, em Londres, considerado o torneio mais charmoso do circuito mundial.
Bernardes serve de espelho e inspiração para outro árbitro, o também paulista Luiz Parada, 27 anos, que nesta semana está em Londrina, onde é o responsável por tudo que ocorre na 15 edição do Arthrom Tennis Cup, que acontece no complexo de quadras do Londrina Country Club.
Parada conta que foi jogador de tênis, dos 8 aos 15 anos. Chegou, inclusive, a participar do torneio londrinense, na década de 90. A carreira atual começou em 2000, quando fez um curso de arbitragem, em Campinas, interior paulista. No curso, aprendeu a atuar como árbitro auxiliar e juiz de linha.
No mesmo ano, fez sua estreia no circuito. ''Foi no dia 31 de dezembro de 2000, no Aberto de São Paulo. Ali começou minha trajetória'', recorda.
Questionado sobre um jogo marcante que tenha arbitrado, Parada cita o último jogo profissional de Gustavo Kuerten em duplas. Ao lado de Tiago Fernandes, então com 15 anos e que ano passado foi campeão juvenil do Aberto da Austrália, o maior nome do tênis brasileiro foi derrotado pela dupla formada por Rogério e Júlio Silva, no Aberto de Santa Catarina, em abril de 2008.
Atualmente portando o distintivo bronze da arbitragem internacional, Luiz Parada observa que duas qualidades são essenciais na carreira de um árbitro: paciência e imparcialidade durante as partidas.
No Arthrom Tennis Cup, ele não atua dentro da quadra. Fica do lado de fora, comandando uma equipe formada por outros quatro árbitros auxiliares, que são os responsáveis por dirimir dúvidas durante os jogos, aplicar punições disciplinares, entre outras obrigações. ''Uma das minhas atividades aqui em Londrina é definir as chaves de disputa, por exemplo. Torneios juvenis são os maiores em quantidade de inscritos, o que traz uma maior dimensão dos fatos. Chegamos a realizar 100 jogos por dia'', explica Parada, que neste ano será o árbitro geral de mais dois torneios da Federação Internacional de Tênis (ITF, em inglês), em Itajaí e Florianópolis, ambos em Santa Catarina.

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