O caso de corrupção na arbitragem do futebol paranaense tem um fato novo a cada dia. Ontem foi a vez do árbitro Evadnro Rogério Roman, que pertence ao quadro da CBF, falar o que sabe na tentativa, segundo ele, de limpar a máfia existente na Federação Paranaense de Futebol (FPF).
O árbitro deu entrevistas a duas emissoras de rádio ontem à tarde e confirmou a existência do esquema de compra de árbitros, inclusive com o envolvimento de dirigentes de clubes. ''Os árbitros catarinenses só estão vindo, fruto de uns dez árbitros que existem no futebol do Paraná que, todo mundo que milita no futebol sabe, são corruptos. Espero que estas coisas sejam tiradas a limpo'', declarou Roman.
Ele também lamentou que o atual presidente da Associação dos Profissionais da Arbitragem de Futebol (Apaf) do Paraná, Henrique França Triches, não tenha tomado as providencias necessárias. ''Ele poderia ter nos ajudado, no final do ano passado, a ter expurgado quase toda essa quadrilha que existe. Mas ele se omitiu, no momento que tinha provas de depósitos em mãos. Ele é uma pessoa séria, mas se omitiu e acabou deixando outros árbitros como eu, o Roberto Braatz, o Edivaldo (Elias da Silva) e o Héber Roberto Lopes em situação constrangedora'', afirmou Roman, lembrando que a luta para acabar com a corrupção já é longa.
Roman enviará ofício à comissão de investigação, abrindo os sigilos bancário e telefônico e pede que os demais árbitros façam o mesmo.
O árbitro também confirmou que a máfia do apito é antiga e pediu para que alguns dirigentes também se expliquem. ''Eu nunca tive receio de falar. Dirigentes do Engenheiro Beltrão, do Império Toledo, Nacional de Rolândia e Paranavaí têm muito a falar. Se eles se omitirem, estarão contribuindo para que essa sacanagem e essa falcatrua continue'', afirmou.
Dos dirigentes citados, a reportagem só localizou Luiz Heitor Linhares, presidente do Engenheiro Beltrão, que garantiu não saber de nada. ''Achei um pouco precipitadas essas declarações dele. Devia apontar fatos. Se ele sabe por que não falou?'', rebateu Linhares, que ressaltou a qualidade técnica de Roman. ''É um excelente árbitro''.
Federação Como de costume, a FPF foi a última a saber das novidades do caso Bruxo. Informada pela Folha sobre as declarações de Roman, a assessoria de imprensa da entidade disse que o presidente Onaireves Nilo Rolim de Moura preferiu não comentar o assunto.
TJD O Tribunal de Justiça Desportiva (TJD) da FPF está mais próximo de descobrir quem é o Bruxo. Um jornal de Curitiba publicou um número de uma suposta conta corrente do banco Itaú onde eram feitos os depósitos da proprina. A conta pertence ao ex-vice-presidente da Comissão de Arbitragem da FPF, Antonio Carvalho, que afirma já ter encerrado a conta em abril. Sobre isso, Moura afirmou que essas ações são tentativas de desestabilizar a arbitragem e a FPF.

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