O árbitro José Aparecido de Oliveira denunciou, em reportagem publicada na revista ‘‘Placar’’ deste mês, que foi coagido, em 1993, pelo ex-presidente da Conaf, Ivens Mendes, a favorecer a seleção da Argentina, durante as eliminatórias da Copa do Mundo de 1994, em um jogo contra a Colômbia. ‘‘Ele pediu que eu ajudasse a Argentina’’, disse Oliveira que, por desobedecer à determinação (a Colômbia venceu por 2 x 1), foi afastado do quadro de árbitros da Fifa.
A punição se estendeu aos auxiliares de Oliveira naquela partida. ‘‘Não cumprimos o acordo firmado entre os presidentes Ricardo Teixeira, da CBF, e Julio Grondona, da Associação Argentina de Futebol (AFA), e ficamos de fora para sempre dos jogos internacionais’’, disse o bandeirinha Daniel Fernandes à ‘‘Placar’’. Segundo Oliveira, o contato com Ivens foi feito inicialmente por telefone, na manhã de 11 de agosto de 1993. O então presidente de Conaf alegou que o favorecimento aos argentinos seria recompensado nas arbitragens que a seleção brasileira enfrentaria nas eliminatórias da Copa.
Na véspera do jogo, em Barranquilla, Oliveira convocou uma reunião com os auxiliares - além de Fernandes, José Jurandir Lins e o árbitro reserva Oscar Roberto Godoy. O trio ficou indignado. ‘‘Aqui, na Colômbia, eles matam por causa do futebol’’, alertou Fernandes. Ao contrário do que esperava Ivens Mendes, a Colômbia venceu e Oliveira até expulsou o volante argentino Simeone.
Ao voltar para o Brasil, o árbitro recebeu um telefonema de Mendes: ‘‘Você está fora da Fifa, por determinação da AFA.’’ Oliveira afirmou que a Argentina cumpriu sua parte no plano para favorecer a seleção brasileira. Segundo ele, o argentino Juan Carlos Lostau apitou, em Guayaquil, o jogo Equador 0 x Brasil 0, sem que fossem marcados dois pênaltis reclamados pelos equatorianos.

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