A diretoria do Arapongas não quer deixar o clima de festa na cidade esfriar e já traça os planos para a temporada que marcará o retorno da equipe à Primeira Divisão do Campeonato Paranaense, após 20 anos. Enquanto a torcida comemora o acesso, os cartolas já preparam as ações para que a volta não seja no efeito gangorra e que o time possa fazer bonito no Estadual.
O principal objetivo é cultivar o casamento perfeito entre torcida e time e aumentar essa união. No domingo, foram mais de 9 mil pagantes no Estádio dos Pássaros para ver a volta à Primeira Divisão e outras dezenas de milhares pelas ruas da cidade na comemoração. Agora, é hora de contabilizar essa paixão.
O primeiro passo é lançar o programa de sócio-torcedor. ''Temos pelo menos 30 mil torcedores na cidade. Se 10% aderirem, teremos três mil fiéis torcedores pelo menos em cada jogo'', exemplifica o gerente de futebol do clube, o ex-volante Sidiclei Menezes, que já passou pelo Londrina e Nacional de Rolândia na função. ''A cidade mostrou uma força quer a gente não imaginava. Agora, temos que trabalhar para profissionalizar o clube'', continuou.
As mudanças a que ele se refere atingem vários setores do clube. O próximo passo é fortalecer as categorias de base e cobrar da prefeitura uma modernização do Estádio José Chiappin para fazer do local um inferno para os rivais no ano que vem.
Menezes quer aproveitar a reta final das Séries C e D do Campeonato Brasileiro para observar jogadores. ''Já temos que trabalhar na montagem da equipe para o ano que vem''.
Neste trabalho ele deve ter a ajuda do técnico Lio Evaristo, que já adiantou que pretende continuar no clube. Ele foi um dos grandes responsáveis pelo acesso. Chegou na metade da primeira fase para substituir Claudemir Sturion. Conseguiu levantar o ânimo dos jogadores e, com uma arrancada espetacular, obteve o acesso. ''Conversei na orelha dos jogadores. O time queria jogar bonito e mostrei que tínhamos que jogar igual a Segunda Divisão tem que ser. Houve um envolvimento da torcida, do time, não houve cobrança, houve confiança. Quando tem organização, é tranquilo, é só se preocupar com o time'', apontou o treinador. ''Não foi o melhor time que trabalhei, mas foi o melhor grupo''.
A volta do clube à elite estadual se deve muito ao empresário Adir Leme da Silva. O Arapongas Esporte Clube (AEC) estava afundado em dívidas. Em 2006, a FOLHA relatou o drama de atletas que defendiam o clube na época e não tinham nem comida, nem material de treino, muito menos salários. Adir comprou o Arapongas em 2008, pagou as dívidas e agora conseguiu o acesso. Ontem, ele não se cansava de ressaltar o envolvimento da cidade neste retorno.
''Foi uma surpresa muito grande, uma coisa de louco. Tinha umas 30 mil pessoas na comemoração. Agora, é trabalhar o planejamento desde já, porque não adianta subir para cair no ano seguinte'', disse. ''A cidade agora se envolveu. Primeiro, me conheceram. Agora, os empresários já sentiram que a coisa é séria e comprou esse projeto'', afirmou o investidor, que também é dono do Barueri, da Terceira Divisão do Paulista.

mockup