Arábia abre mercado para londrinense
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domingo, 26 de novembro de 2000
Claudemir Scalone De Londrina 
O preparador físico Arlindo de Paula, o Billy, 50 anos, acaba de participar de uma experiência que, certamente, se tornará inesquecível na sua carreira. Convidado pelo amigo e técnico Carlos Gainete Filho trabalharam juntos no Londrina Esporte Clube anos atrás , Billy largou a família e os amigos para trabalhar na Arábia Saudita (Sudoeste da Ásia). Mais precisamente no Al-Tawun Club, time da segunda divisão, da cidade de Buraydha no estado de Gassin. Ele retornou a Londrina na última segunda-feira trazendo na mala o título de campeão da Copa do Príncipe e o aprendizado de viver em uma cultura oposta à brasileira.
O bom trabalho junto aos árabes rendeu a Billy o convite para retornar ao país no próximo ano. O pessoal gostou do meu trabalho e quer contar comigo na próxima temporada, que começa em fevereiro, afirma ele. Enquanto o convite não chega, Billy se apresenta amanhã ao Londrina e vai contando aos amigos como foi ficar 70 dias longe do País.
Foi uma experiência cultural e profissional muito boa, que será útil para o meu currículo, diz ele. Billy foi para a Arábia após obter uma licença não-remunerada do Londrina, onde trabalha desde 1992. Ele não revela o quanto ganhou recebia em rial saudita e trocava por dólares , mas garante que ganhou mais lá do que o restante do ano no Londrina. No Tubarão, ele ainda tem dinheiro em haver e, assim como outros funcionários, espera pelo pagamento devido.
Billy não encontrou problemas de adaptação na Arábia. A não ser, claro, a língua. Só tivemos dificuldade até a chegada de um intérprete que sabia falar o português. Antes, quando tinha um intérprete que só falava inglês, era obrigado a explicar e até fazer os exercícios para os jogadores entenderem.
O que mais pesou nestes 70 dias fora do Brasil foi, sem dúvida, a distância da família e dos amigos. O lado emocional foi a única coisa que me afetou, relembra. Para matar as saudades, Billy recorria aos CDs de música brasileira que levou para lá.
A não ser a carne de camelo, Billy não viu nada exótico na culinária arábe. A alimentação é básica e inclui arroz, frango, carne de boi, saladas e massas.
País religioso por excelência, a Arábia segue o rigor do Islamismo praticado por 98% da população. Os jogadores também são obrigados a fazer as cinco orações diárias voltados para Meca (cidade santa). Os treinos só ocorriam após a última oração por volta das 20 horas. O forte calor é outro motivo para que os treinos fossem à noite. A temperatura média durante o dia é de 45/46 graus, reforça Billy.
Um fato que preocupou Billy foi a retenção de seu passaporte pelo clube. A medida foi adotada, segundo a embaixada do Brasil, porque já houve casos de brasileiros pegarem dinheiro e abandonar os clubes. Ele só recebeu seu passaporte na véspera de voltar ao Brasil.


