Árabe se sente à vontade em Curitiba
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 02 de março de 2009
Dimas Rodrigues<br> Equipe da Folha 
Curitiba - O atacante Kamali terá que esperar mais um pouco para jogar no time principal do Atlético. Nas últimas partidas pelo Paranaense, período utilizado pelo técnico Geninho para realizar testes na equipe e que terminou anteontem, no jogo com o Iraty, o nome do jogador não apareceu nenhuma vez na lista dos convocados. Isso poderia causar frustração, não fosse pelo fato de o jogador sequer imaginar que um dia pudesse vestir a camisa de um time do futebol brasileiro.
Nascido nos Emirados Árabes e maior goleador do futebol local na temporada 2007/08, com 28 gols pelo Al Wasr, Kamali, 19 anos, chegou ao Brasil em junho do ano passado para um contrato de seis meses. Disputou torneios com a equipe de juniores do Atlético, marcando sete gols e com a Sub-23, atuou durante a Copa Paraná, onde também balançou a rede, uma vez, na primeira competição oficial dele no país. Tudo inédito em sua curta e já histórica carreira. Kamali é o primeiro árabe a atuar no Brasil. ''Dizem que sou uma pessoa de sorte, e eu sinto isso. Estou muito feliz, em estar aqui e espero representar bem meu país'', disse, descontraído o jovem jogador.
Ainda se habituando ao novo idioma, Kamali se mostra à vontade durante os treinamentos. Entende bem as orientações do preparador físico e do técnico Geninho. ''É muito fácil se adaptar, todos cooperam. O Gustavo (Lazaretti) fala inglês perfeitamente. O idioma é um pouco complicado, mas não é um problema'', disse o jogador.
Após uma boa temporada nos Emirados Árabes, a promessa árabe foi sondada por outros times, inclusive do futebol europeu, mas preferiu atuar no Brasil, apesar de desconhecer a realidade do futebol brasileiro. ''Só conhecia Grêmio e o São Paulo, ninguém lá, sabe que no Brasil tem campeonatos fortes e vários bons jogadores''.
Embora não tenha ainda sido convocado para o time principal, Kamali pode manter a esperança, no mínimo, por dois motivos: o contrato do jogador foi prorrogado até outubro de 2009 e o técnico Geninho, a cada vez que fala sobre ele, mostra admiração. ''É um jogador inteligente. Ele evoluiu demais, nas jogadas diagonais, nas bolas cruzadas, onde o jogador árabe não costuma colocar a cabeça na bola. Ele quando voltar para lá vai ser diferenciado. Está trabalhando forte e isso é bom para ele para o clube'', elogiou.


