Apostas e acusações esquentam derby
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 25 de fevereiro de 1999
Nelson Cilo 
Apostas provocativas, troca de acusações, ironias e, para esquentar ainda mais, um troféu em disputa: este é o clima que antecede o derby de domingo entre Londrina e Portuguesa pela Série A-2 do Campeonato Paranaense. Será o primeiro clássico desde a reativação da Lusinha, há dois anos. O primeiro jogo entre as duas equipes aconteceu há quase 40 anos. As duas equipes integram o Grupo A da segundona. Na primeira rodada, domingo passado, o Londrina não passou de um empate sem gols, em casa, com o Arapongas. A Portuguesa perdeu de 1 a 0 para o Nacional, em Rolândia.
Durante a semana, os cartolas acirraram o bate-boca. O diretor da Portuguesa, Amarildo Vieira, bateu forte no vice-presidente de futebol do Londrina, Célio Guergoletto. Em um programa de televisão, faltou pouco para que os dois saíssem no tapa. Olha só o que aconteceu... Cheguei lá a convite do apresentador. Aí esse rapaz (Amarildo) nem me olhou antes do início do debate, lembra Guergoletto, em tom de desprezo.
É verdade. De propósito, o ignorei. Mas quero deixar bem claro que nada tenho contra o Londrina, de quem até gosto, apesar de minha paixão pela Portuguesa. Nunca escondi de ninguém que sou contra a pessoa do político e vereador Célio Guergoletto, responde Amarildo.
Isso mostra bem o nível desse rapaz. Não posso levá-lo a sério. Ele é um cara que precisaria de exame de sanidade mental. Aliás, trata-se de uma pessoa frustrada porque queria seguir a carreira de árbitro e não conseguiu. Depois, tentou ser maqueiro, mas a barriga não permitiu, emenda Guergoletto.
Que me desculpem e não fiquem chateados, mas o placar eletrônico do Café terá Portuguesa x Visitantes. Somos mandantes do jogo. O Londrina, se quiser, vai usar o vestiário número dois ou o três. Estaremos em nossa casa, desafia Amarildo, referindo-se ao Estádio do Café, palco das principais glórias do Londrina.
Amarildo não poupa nem mesmo o técnico Paulo Comelli, prevendo a queda do treinador adversário. O Comelli é meu amigo pessoal, mas, se ele depender de uma vitória do Londrina, é bom que arrume as malas antecipadamente pra ir embora. Não existe nenhuma hipótese de não ganharmos. Nem no sonho...
A metralhadora de Amarildo aponta para outro alvo: o vice-presidente de patrimônio do Londrina, Agostinho Garrote, de quem também se considera amigo. A aposta já foi feita: o perdedor vai raspar a cabeça. No entanto, esta é a única situação em que Amarildo vê vantagem para Agostinho. Ele não tem um fio de cabelo sequer no alto da cabeça, só um pouquinho dos lados. Portanto, se tirar o resto, nem vão perceber.
Já Agostinho, que encara tudo na brincadeira, conta o motivo que o levou a recusar uma carga de 100 ingressos que a Portuguesa ofereceu ao Londrina. No jogo de volta, a Portuguesa receberia a mesma recompensa. Como é que eu iria aceitar, se a Lusinha não consegue reunir nem 100 torcedores?
Amarildo entende que a Lusa tem muito mais estrutura que o Londrina, pois, segundo ele, o time consegue manter 90% dos jogadores vinculados ao clube. Os atletas do Londrina pertencem a diferentes empresários. O que eles chamam de sócios-cotistas são pessoas que emprestam dinheiro. O Londrina é um clube que deve uma fortuna. A Portuguesa está sob controle. Não dá nem pra comparar.
Apesar de tudo, Guergoletto defende a tese de que não se deve morder a isca oferecida pelo lado de lá. Essa briga não nos interessa. Não podemos entrar na deles. Que rivalidade, que nada... O torcedor não é bobo. Respeito muita gente lá (na Lusa), como o presidente Giacomini e mais alguns dirigentes, mas vamos devagar. Temos quase 45 anos de história. Eles nasceram outro dia...
Provocações à parte, as duas equipes vão disputar um troféu, instituído pela Rádio Paiquerê, pelo sistema melhor de quatro pontos. O primeiro duelo será domingo e o segundo, pelo returno da A-2, dia 4 de abril. Se houver igualdade, as duas equipes vão decidir em um amistoso também no mês de abril, cuja renda seria revertida para uma entidade assistencial.


