São Paulo - A aposentadoria especial aos campeões mundiais de 1958, 1962 e 1970 ainda não chegou ao bolso dos ex-atletas e seus familiares, mas já tem gente que defende a ampliação do projeto de lei encaminhado ao Congresso pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em maio. Ex-jogadores que também participaram de Mundiais, mas não levantaram o caneco, querem que todos aqueles que defenderam a seleção brasileira na principal competição do planeta e têm idade para se aposentar recebam o benefício.
É o caso de César Maluco, que disputou a Copa de 1974 - o Brasil foi o quarto colocado. ''Tem ex-jogador que está numa boa, mas conheço muitos que precisam de ajuda. Favorecer apenas os campeões é o mesmo que reconhecer o esforço apenas dos soldados que ganharam a guerra e não valorizar todos que defenderam o País. Não ganhamos em 1974, mas ficamos na história e tenho certeza de que ajudamos muito as gerações seguintes'', disse o ex-atacante de Palmeiras.
O projeto de lei prevê um auxílio mensal de até R$ 3.467,40, além de uma indenização de R$ 100 mil, e ainda será votado pelo Congresso, o que pode ocorrer nos próximos 40 dias. Os campeões que já estão aposentados, mas com valores menores, receberão um complemento para atingir o teto do valor pago pelo INSS aos empregados da iniciativa privada.
Leivinha, que também disputou a Copa de 1974, é contrário à aposentadoria especial. Mas, diante da iminente aprovação, defende a ampliação. ''O certo é não dar para ninguém, mas já que eles vão dar aos campeões têm de dar para todo mundo'', disse. Para ele, o governo deveria investir em programas de qualificação profissional para ex-atletas. ''Sei que tem muita gente que precisa desse dinheiro, mas a ajuda precisa ser mais ampla. Deveriam ser feitos acordos com os clubes para que esses ex-jogadores sejam mais bem aproveitados e não fiquem abandonados''.
A aposentadoria especial é resultado de uma luta de quatro anos da Associação dos Campeões Mundiais de Futebol, segundo o presidente-executivo Marcelo Neves, filho do ex-goleiro Gilmar, campeão mundial em 1958 e 1962. E vem para reparar um erro do governo. ''Esses campeões não tinham aposentadoria porque a profissão de jogador não era regulamentada. Para corrigir esse erro, o governo deve gastar R$ 90 mil por mês (são 37 beneficiados), um valor que não vai causar nenhum dano aos cofres públicos'', afirmou. Segundo Neves, os R$ 100 mil pagos pelo Ministério do Esporte são uma forma de indenização pelo tempo que os campeões ficaram sem a aposentadoria.
Mas ele é comedido ao comentar a reivindicação de ampliação do auxílio para todos os que defenderam a seleção em Mundiais. ''Como representante dos campeões, luto pelos direitos desta classe. Agora, se outras pessoas e categorias acham que merecem esse tipo de reconhecimento, cabe a eles lutar por aquilo que acreditam ser os seus diretos. Se de fato eles não tinham aposentadoria e têm esse direito, acho justo''.
Campeão em 1970, Tostão já disse que vai abrir mão da aposentadoria. E não agradou muito. ''Ele parece ter vergonha de ter sido jogador de futebol. Não querer receber esse benefício é hipocrisia. Mas ainda queremos ver se ele realmente vai devolver mesmo o dinheiro'', disse Neves.

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