Depois de 20 anos dedicados a vida de atleta, a ginasta londrinense Dayane Camillo, 25 anos, fará a última apresentação da carreira durante os Jogos Olímpicos de Atenas. ''Se começo a pensar muito, fico muito triste. Choro muito'', diz, já com os olhos cheios de água. ''Mas sei que na vida tem que acabar uma etapa para começar outra. O problema é que fiz isso a minha vida toda e não sei o que vai ser daqui pra frente'', completa.
Formada em Educação Física, Daiane pretende continuar trabalhando com ginástica rítmica, mas ainda não parou para pensar como vai resistir à tentação de estar em quadra. ''Acho que se estiver ensinando um exercício vou entrar lá pra fazer'', comenta.
Bicampeã pan-americana e única remanescente do conjunto que esteve em Sydney, Daiane relembra as dificuldades que teve para chegar a sua segunda Olimpíada. ''Para ser uma atleta de ponta, a gente tem que passar por muita coisa e abrir mão de muitas outras. Foi uma escolha que fiz, mas agora, tudo vai acabar. Estou um pouco perdida e me assusta o fato de parar.''
Para as ginastas mais novas, mesmo aposentada, Daiane continuará sendo referência. ''Ela nos ajuda muito. Passa muita confiança. Acho que a gente ainda tem muita coisa pra aprender com ela'', destaca Ana Maria.
''A minha felicidade é que a ginástica já chegou bem longe. Conseguimos, por duas vezes, o título de melhor das Américas. Conseguimos disputar uma final olímpica. Agora, espero que o meu fim como ginasta seja o melhor possível. Todos os dias peço a Deus muita paz, para conseguirmos executar com tranquilidade tudo o que sabemos '', diz Daiane. ''A expectativa é de terminarmos em quarto ou quinto lugar.'' (Janaina Tupan Frare)

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