Após um ano no cargo, Peter vê progressos
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domingo, 03 de dezembro de 2006
Thiago Mossini<br> Reportagem Local 
Peter Silva completou esta semana um ano na presidência do Londrina. Foram 365 dias de muitas reuniões, viagens, lágrimas, polêmicas, muitas decepções, poucas alegrias dentro de campo e conquistas nos bastidores.
Recém-saído de forma tumultuada da Futebol Brasil Associados (FBA), que dá as cartas na Série B do Campeonato Brasileiro, Peter passou por maus bocados neste último ano. Cofres vazios, desconfiança da cidade, dívidas e mais dívidas e a falta de comprometimento de jogadores que não retribuíram a confiança depositada.
Em entrevista à Folha, o cartola faz um balanço do ano que se passou e fala dos planos para 2007. Hoje, ele fala sobre os percalços encontrados, deixa evidente sua mágoa com parte da imprensa, lembrada em quase todas as perguntas, categorias de base e parceiros.
Na edição de amanhã, Peter explica projetos que não decolaram, como o trabalho com garotos em parceria com o Instituto Nacional de Desenvolvimento à Saúde e Ecologia (Indese). Também fala das promessas feitas na base da empolgação como a de brigar por uma vaga na Série B, sem garantir a da Série C. Eu estava pensando em alguma coisa mais tímida, mas mudei de idéia e vamos buscar uma das quatro vagas na Série B do Campeonato Brasileiro, disse Peter no início do ano.
Confira a primeira parte da entrevista:
Um ano de Peter Silva
Quando assumi o Londrina, eu sabia dos problemas e da situação do clube. Para mim nada mudou. No seu primeiro ano, você fica se interando dos problemas e aprendendo a lidar com isso. O Londrina tem problemas de finanças, administrativo, político, financeiro e tinha dentro de campo. Não dá para administrar os cinco e achar que vai agradar a gregos e troianos. Quando falo político, é relacionamento. Eu trabalho para o Londrina ter a ajuda dos vereadores, do prefeito, dos deputados, como trabalho para o Londrina ter respeito na Federação (Paranaense de Futebol) e na CBF. Nesse primeiro ano, com a CBF o Londrina, que sempre teve um bom relacionamento, está melhor agora. Com a FPF idem. Com a cidade é mais complicado, porque não conheço ninguém. Estou sendo apresentado e conhecendo os políticos agora.
Longo Prazo
Quando falo que o Londrina pode estar na Série A (do Brasileiro) em quatro ou cinco anos é porque depende desses cinco fatores. Tento administrar tudo isso, mas estoura lá no futebol. Acho que o principal é o relacionamento. Amanhã, um juiz (de direito) passa a confiar no clube, o prefeito passa a apostar no clube. Estou tentando preparar o Londrina para isso e tem uma parte da imprensa que me cobra o fim do projeto e eu não estou preparado apesar de tentar entender a ótica da imprensa. Eu acho que esse ano crescemos muito nas questões políticas. Na administrativa, caminhamos muito também. Até agora não dei cano em nenhum estabelecimento, em nenhum atleta e nessa administração não tive nenhuma ação trabalhista. Eu acho que fiz muito..
Parceiros
Você acha que os parceiros nossos, o Ratinho e o Colégio Londrinense, vão dar o cano em alguém? Foi muito difícil de trazer dois parceiros como esses, sérios. Eu não vou mentir para você. São duas situações que atrapalham: o passado de muitas pessoas que tentaram ajudar o Londrina e saíram magoadas ou prejudicadas finaceiramente e a imprensa. Cerca de 90% dos empresários que procuramos falam que não querem se meter porque vão meter a boca e tal. A maioria não suporta o relacionamento da imprensa com o Londrina. Mas eu não estou querendo jogar a culpa na imprensa.
Imprensa
Por exemplo, aprendi a lidar com a imprensa. Eu acho que ela ajuda muito o Londrina. Acho que o comportamento da imprensa foi bom, mas é uma pena que uma pequena parte da imprensa ainda não faz parte da comunidade londrinense. É duro ser jornalista e pensar na cidade porque você está analisando o time e não a cidade. Um presidente de clube toca analisando a cidade. A pressa que você (jornalista) tem é a paciência que eu tenho que ter. As vezes você faz algumas situações e levam para outro lado.
Categorias de base
Assumi no fim do ano, fiz um catado e fomos para a Taça São Paulo. Tivemos um desempenho até bom. Este ano, por eu ter menos de um ano de escola de base e não ter um time competitivo para a Taça São Paulo, estou me aliando com quem tem uma estrutura tão boa ou melhor ainda do que o Londrina (o Astral). Aí arranjo um parceiro que vai pôr aqui de dez a 12 jogadores melhores que os meus tecnicamente, que vai pôr dinheiro para bancar, e do que vender (jogadores) os resultados são iguais entre as partes e ainda recebo críticas. A camisa que vai entrar em campo é a do Londrina Esporte Clube. A Taça São Paulo é um mercado livre de jogadores. O São Paulo que é o São Paulo faz isso.
Progresso
O Londrina é grande na história, mas pequeno no dia-a-dia atual. Eu acho que nesse um ano já tenho um patrimônio. Temos jogadores nossos. Cheguei há um ano e não tinha uma xícara de café. Compramos tudo, computador e tudo mais... Eu não tinha dinheiro para pôr e conseguimos sobreviver, mas dentro de campo não veio o resultado, que é onde interessa no futebol. Eu, como presidente, acho que nós progredimos. No Paranaense contratamos 32 jogadores. Errei em contratar uns 11 que estavam na administração passada e todos eu tive que pagar três meses mais um adiantado. Gastei um dinheiro que não podia e não vieram os resultados.


