Era uma vez um time que atraía os jogadores pelo nome e tradição. Que tinha uma camisa, que era objeto de desejo dos boleiros do interior paranaense, todos sonhavam em vesti-la. Esse era o Londrina de tempos atrás, de quando ganhava títulos – são 14 anos sem conquistas – mas que de alguns anos para cá vem sofrendo o processo contrário. É rejeitado e desrespeitado por jogadores, rivais, torcedores e investidores. Ontem, mais uma prova de que o clube não é respeitado como outrora foi dada pelo zagueiro Nenê. Ele foi mais um a rejeitar a camisa alviceleste.
  Nenê, 25 anos, foi apresentado na segunda-feira. Na terça, já se arrependeu e vinha pedindo para sair. Ontem, formalizou seu desligamento. De acordo com o clube, o zagueiro tinha a promessa de receber R$ 2 mil mensalmente no Londrina, mas foi seduzido por uma suposta proposta de R$ 6 mil do Brasil de Pelotas (RS).
  O jogador tem os direitos federativos presos à empresa carioca Ability. Segundo o presidente Peter Silva, o abandono do jogador não teve o consentimento de seus procuradores. ‘‘Eles podem até determinar que ele volte, não sei. Mas agora nós não queremos mais’’, disse Peter, que não gostou da atitude do jogador.
  Nenê era um dos três reforços apresentados pelo time para a disputa do Campeonato Paranaense, sendo que um deles, o meia Evander, ainda passará por uma avaliação técnica e também pode sair. Nessas últimas semanas, a palavra mais ouvida pelos cartolas é o não, como já deixaram claro tanto o supervisor João Paulo Reeberg, o Pinheiro, como o coordenador de futebol, Sidiclei Menezes e o técnico Roberto Fonseca.
  O motivo principal para tantas dificuldades nas contratações é a séria crise financeira. Jogadores preferem acertar com clubes de menor expressão com a certeza de que vão receber em dia do que tentar a sorte no Tubarão e correr o risco de não ver a cor do dinheiro. O histórico de mau pagador, que há anos rotula o clube, só aumenta. O volante Tião, 33 anos, revelado pelo Londrina, é um exemplo. Preferiu a Portuguesa do que o Tubarão com esta justificativa.
  Mesmo com este quadro, Peter, com a calma que lhe é peculiar, disse que não há motivos para desespero e se mantém tranqüilo. ‘‘Acho tudo normal. Nenhum clube do Brasil está com o time pronto, a não ser um ou outro que tem mais poderio financeiro. Futebol é corrido mesmo. E tem outra, o atleta se apresenta e fica procurando outros times, fazendo leilão. É complicado’’, refletiu. ‘‘Tem clube que vai liberar o elenco para as festas de fim de ano e alguns jogadores não voltarão’’, apostou.
  O dirigente ressaltou que as contratações estão sendo tratadas de forma muito criteriosa e que não serão em grande escala. A intenção é evitar o inchaço do elenco com jogadores machucados ou que não têm mais aspirações no futebol. ‘‘Existe um monte de jogadores querendo vir para cá, mas vetei porque não são do estilo que eu quero. Não há um prazo para fechar o elenco. Até dentro do campeonato podem chegar jogadores’’, apontou.
  Peter confia muito no grupo de garotos que sobrou da Copa 100 Anos. ‘‘Essa é a base do time, precisamos colocar mais uns oito jogadores e pronto. A molecada está voando e não tenho preocupação. Não vamos contratar dez só pra falar que contratamos’’, disse, alfinetando a rival Portuguesa.
  Segundo Menezes, outros quatro jogadores estão acertados e se apresentarão na próxima quarta-feira.

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