Após protelar, Fifa enfim bane Del Nero do futebol para sempre
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sexta-feira, 27 de abril de 2018
Jamil Chade<br>Agência Estado 

Genebra Três anos depois de assolada pela prisão de vários cartolas em um hotel de luxo em Zurique, a Fifa finalmente completou a "limpeza" na entidade, com o banimento do futebol de Marco Polo Del Nero. A punição determinada pelo Comitê de Ética, porém, foi cuidadosamente coordenada. A decisão foi anunciada apenas depois que o brasileiro teve tempo para manobrar o processo eleitoral para escolher seu sucessor na CBF.
Del Nero, também multado em 1 milhão de francos suíços (cerca de R$ 3,5 milhões), era o único dirigente do escândalo de corrupção que ainda não havia sido punido pela organização. Apesar de indicar que a situação do brasileiro era "insustentável" e querer seu afastamento, a Fifa protelou a definição.
A entidade agiu apenas quando, no julgamento de José Maria Marin, ocorrido em Nova York em dezembro de 2017, Del Nero foi acusado de ter recebido US$ 6,5 milhões (R$ 22,5 mi) em propinas, em troca de contratos comerciais com a CBF.
Legalmente, a Fifa não tinha mais escolha, senão a de agir contra Del Nero. Caso contrário, sua omissão poderia ser vista como proteção a alguém já publicamente denunciado.
Até então, havia esforço para salvá-lo. No ano passado, o presidente da Fifa, Gianni Infantino, manteve reuniões com a direção da CBF, na esperança de encontrar uma "solução" para a situação de Del Nero. Mesmo indiciado pela Justiça americana desde 2015, o brasileiro chegou a receber Infantino na sede da CBF, no Rio, em 2016.
Quando já não era mais possível preservá-lo, a Fifa estipulou prazos para a punição, permitindo uma "transição" na CBF. Num primeiro momento, Del Nero foi afastado por três meses, enquanto a entidade mundial supostamente realizava suas investigações. Del Nero chegou a ser interrogado pela Fifa, por meio de uma videoconferência. Sua defesa alegou que a entidade não conseguira produzir um só documento de acusação, em dois anos de investigações contra o brasileiro.
Em março, ela ampliou o inquérito por mais 45 dias e abriu espaço para uma eleição orquestrada na CBF. A entidade brasileira, assim, estabeleceu a escolha do novo presidente dentro do prazo dado pela Fifa. O novo presidente, Rogério Caboclo, eleito há dez dias, irá assumir o cargo somente em abril de 2019, num sinal claro de que a votação fora desenhada para evitar que uma briga política fosse desencadeada.
Del Nero irá recorrer nas cortes internas da Fifa. Ele também levará o caso à Corte Arbitral do Esporte (CAS, na sigla em inglês), como fizeram Joseph Blatter, Michel Platini e Jérôme Valcke. Todos foram derrotados em todas as instâncias.


