São Paulo - O atletismo brasileiro já começa a sonhar com mais uma medalha nos Jogos Olímpicos de Londres. Mauro Vinícius da Silva, o Duda, é a aposta do momento. Ele conquistou o ouro no salto em distância no Mundial Indoor de Istambul, na Turquia, e cravou a melhor marca do ano, com 8,28 metros na qualificação. Apesar da empolgação, Duda reconhece que terá um grande desafio pela frente.
''O resultado serve como um cartão de visitas. É importante não só para mim, mas para o meu clube e para o Brasil porque teremos um pouco mais de respeito na prova. Chegando lá, temos de esquecer o que passou e tentar melhorar'', disse.
Diante de expressiva atuação, o atleta espera manter a regularidade e mira saltar acima de 8,30 metros. O técnico Aristides Junqueira, o Tide, é ainda mais ambicioso e deseja ver o pupilo atingir 8,50 metros ainda nesta temporada. Para isso, já definiu as próximas diretrizes de seu trabalho e o primeiro ponto a ser melhorado é a técnica.
No Mundial, Duda ficou longe da tábua e poderia ter alcançado uma marca ainda melhor. O treinador explica que isso é reflexo de uma corrida muito veloz. ''Ele estava um pouco ansioso e correndo muito forte. Temos de corrigir essa deficiência e aprender a dominar a passada'', afirmou.
Outra preocupação de Tide é a facilidade de Duda em perder peso e massa muscular. Dessa forma, o técnico optou por dois ciclos curtos de preparação, o primeiro até o Troféu Brasil, em junho, e outro mais rígido até Londres. ''Tudo leva a crer que ele chegará física e tecnicamente muito mais forte na Olimpíada'', projetou, confiante.
Quem vê Duda em atividade, não imagina que há pouco mais de um ano ele enfrentou uma séria contusão. O saltador rompeu o ligamento cruzado do joelho direito e precisou passar por uma cirurgia, em 4 de fevereiro de 2011. ''Achei que não ia mais saltar. Na primeira semana, o fisioterapeuta tinha de pegar na minha mão para andar, senão eu caia. Mas tive uma recuperação excelente e voltei a treinar'', relembrou. Sete meses depois já estava voando nas competições, terminou o ano entre os dez primeiros do ranking mundial e se garantiu a classificação olímpica.
O atleta acredita que a lesão pode ter sido consequência do início de sua vida esportiva. Duda começou no futebol, em Presidente Prudente, mas sua carreira de jogador durou pouco. ''Sempre tive um pouco de velocidade a mais do que os garotos da minha idade, mas não tinha habilidade'', contou. Ele seguiu os conselhos dos professores e mudou de esporte. ''Não fui eu que escolhi o atletismo, foi o atletismo que me escolheu'', completou.

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