Curitiba - Da frustração ao êxtase em poucos meses. Assim pode ser resumida a trajetória da nadadora Michelle Lenhardt, 28 anos, rumo aos Jogos Olímpicos de Pequim. Após não conseguir um lugar na equipe brasileira do revezamento 4 x 100 metros livre no Pan do Rio, a gaúcha substituiu Rebeca Gusmão, suspensa por doping, e participará de uma Olimpíada após quase ter desistido do sonho. Suas companheiras na prova serão Tatiana Lemos, Flávia Delaroli e Monique Ferreira.
''Desde criança sempre sonhei em disputar uma Olimpíada, mas não via isso como uma possibilidade. Desde que saí do Rio Grande do Sul em 2005 e vim pra São Paulo (de 2005 a 2007, ela morou em Santos, e em 2008 foi para a capital paulista; ela treina atualmente no Pinheiros), meu então namorado, hoje noivo, Joel Moraes mudou muito a minha cabeça e me fez acreditar na possibilidade de conseguir disputar os Jogos Olímpicos. Por ser ex-nadador e hoje treinador de natação, ele via em mim muitas chances, até um dia em que me disse a frase que marcou, coloquei na cabeça, tracei minhas metas e fui atrás: 'o sonho é um objetivo não concretizado'. A Olimpíada passou de sonho a objetivo, e com muita dedicação e foco, eu estou realizando hoje o maior sonho da minha vida'', comemora a nadadora.
Em maio, Michelle e suas companheiras se classificaram para a prova de revezamento em Pequim com o tempo de 3min43s16, novo recorde brasileiro e sul-americano. A marca ficou aproximadamente 10 segundos acima do recorde mundial, de 3min33s62, obtido pela equipe holandesa em março.
Michelle reconhece que o quarteto brasileiro não está entre os favoritos para o pódio. ''Nos classificamos para a prova de revezamento com a décima quinta melhor marca do mundo, estabelecendo o novo recorde sul-americano. Nosso objetivo pra Pequim é classificar entre as oito melhores equipes para disputar a tão almejada final. Hoje a disputa pelo ouro ficará entre Holanda, Alemanha e Estados Unidos'', explica.
A natação brasileira estabeleceu nas últimas Olimpíadas uma tradição de medalhas, graças principalmente a Gustavo Borges e Fernando Scherer. Para Pequim, as perspectivas são otimistas, com o trio Thiago Pereira, César Cielo e Kaio Márcio. As mulheres, porém, entram novamente como coadjuvantes.
''A natação feminina evoluiu bastante nos últimos anos. Hoje a nossa equipe é recordista em número de meninas na disputa da Olimpíada. A chance de medalhas ainda é remota, ainda temos muito pra evoluir'', aponta Michelle. ''Eu acredito muito no esporte feminino, as mulheres vêm crescendo e aparecendo nos Jogos Olímpicos. Acredito que se houvesse um maior incentivo por parte dos órgãos governamentais e empresas o esporte brasileiro seria um dos melhores do mundo, mas a nossa realidade ainda fica aquém das grandes potências mundiais''.

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