Após ter garantido o inédito tricampeonato da Fórmula Truck, na etapa final do último dia 11, em Brasília, o paranaense Wellington Cirino pôde dar um tempo das corridas para fazer as cirurgias corretivas a que precisava se submeter para começar inteiro a temporada de 2006.
Ontem de manhã ele foi operado na Santa Casa de Londrina para colocar um enxerto ósseo na tíbia da perna esquerda e para retirar dois parafusos que estavam em seu calcanhar esquerdo, além de uma placa da fíbula, que tinha seis parafusos.
À tarde, bastante tranquilo, recebeu a reportagem da Folha em seu quarto, no hospital, para falar um pouco sobre sua recuperação e sobre a atípica temporada de 2005, na qual foi campeão mesmo sem poder correr três etapas (Londrina, Campo Grande e Curitiba) seus adversários praticamente não pontuaram no período em que ele esteve ''de molho''.
Cirino, que é natural de Francisco Beltrão, no Sudoeste do Estado, se acidentou gravemente no dia 8 de julho, no Autódromo Ayrton Senna, em Londrina, durante os treinos para a quinta etapa da temporada. Ele sofreu 11 fraturas, sendo oito no tornozelo esquerdo, duas na perna esquerda e uma na mão direita. Após passar por cirurgias, na Santa Casa, entrou num período de recuperação e passou a ter que torcer contra seus adversários diretos o maringaense Fabiano Brito e o londrinense Leandro Totti, que após a quinta etapa, somavam, respectivamente, 50 e 48 pontos Cirino ficou estacionado com 69.
''Deus me livrou de um acidentre mais grave e daí em diante a sorte passou a andar do meu lado, porque fiquei três meses sem correr, mas nunca desisti do título. Foi incrível como os outros não pontuaram. À medida que isso foi acontecendo, as minhas esperanças de voltar aumentaram'', contou Cirino.
A maior vitória, segundo ele, não foi sua, mas a de Luis Carlos Zapellini na etapa chuvosa de Curitiba, em outubro. ''Vibrei mais com a vitória dele do que com as minhas, porque ela impediu que os meus concorrentes pontuassem (Totti e Brito quebraram e Roberval Andrade chegou em 4º). Ali eu vi que podia voltar e garantir o título'', disse ele.
A conquista veio com o segundo lugar na etapa seguinte, em Tarumã (RS) quando largou em 23º e com o terceiro lugar em Brasília, as duas provas vencidas por Roberval Andrade, que não conseguiu alcançá-lo na classificação. Cirino terminou com 100 pontos e Roberval com 91. Os títulos anteriores do paranaense foram em 2001 e 2003.
Wellington Cirino fez questão de frisar que só manteve as esperanças porque teve a ajuda de Santo Expedito, o santo das ''causas impossíveis''. ''Sou devoto dele e sempre procurei me espelhar no seu exemplo. Ele era um guerreiro que nunca desistia das causas. Eu e minha família rezamos muito pela minha recuperação e fomos atendidos'', agradece ele. Nas duas últimas etapas o piloto, que ainda estava de muleta, correu com o tornozelo imobilizado e conseguiu chegar até o fim das corridas.

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