Após atrair interesse, curling espera crescer no Brasil
PUBLICAÇÃO
sábado, 03 de abril de 2010
Paulo Favero<br> Agência Estado 
São Paulo - O curling, esporte que é jogado numa pista de gelo, fez sucesso no Brasil durante os Jogos Olímpicos de Inverno de Vancouver, em fevereiro, e passará agora por um processo de tentativa de massificação no País, apesar do clima tropical. Esse será um desafio e tanto para Eric Leme Walther Maleson, presidente da Confederação Brasileira de Desportos no Gelo (CBDG). Mas ele está confiante. Eu não tenho bola de cristal, mas desde a década de 1990 nós já sabíamos que havia um interesse brasileiro em modalidades como essa. Existia um vácuo a ser preenchido, só faltava a exposição em televisão e as instalações, afirmou.
Para transformar o sonho em realidade, a CBDG correu atrás de parceiros e está em tratativas bem encaminhadas com a prefeitura de Campos do Jordão, no interior de São Paulo, para construir um centro de treinamento de esportes de inverno. Para ter alternativas, a entidade negocia também com cidades de Rio de Janeiro, Minas Gerais, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.
Começamos a trabalhar no que era essencial: formar atletas de alto nível nesse esporte, disse o presidente da CBDG. O projeto não leva em conta apenas o curling, mas também a prática de outras atividades no gelo. Nós queremos massificar esses esportes. Criamos um programa social, o Patina Brasil, que dará acesso gratuito ao CT para crianças de escolas. Elas vão aprender a patinar no gelo. Daí vão sair os grandes talentos, entre sete a 15 anos.
O Centro de Treinamento Olímpico para esportes no gelo terá uma quadra de hóquei de tamanho oficial, que poderá ser usada também para competições de patinação artística e patinação de velocidade em pista curta. Também terá três canchas de curling. O local comportará duas mil pessoas, com possibilidade de ampliação para três mil com as arquibancadas retráteis. E nas laterais haverá espaços comerciais que serão alugados para empresas, com restaurantes, lojas, bares e academia.
Para a construção do CT, a CBDG estima que serão gastos de R$ 3 milhões a R$ 4 milhões. É preciso ter uma planta de refrigeração para manter a temperatura do gelo em condições ideais para o esporte. Teremos um custo de manutenção que será constituído principalmente pelo consumo de eletricidade e água, além da folha de pagamento, lembrou Eric Maleson. O custo mensal deverá ficar entre R$ 25 mil e R$ 40 mil.
Outros países de clima quente, como México, Porto Rico, Emirados Árabes e Kuwait, possuem centros de curling. E a CBDG já tem o equipamento necessário para os esportistas brasileiros: a entidade adquiriu 64 pedras e algumas vassouras, peças fundamentais para a prática da modalidade.


