APOLO THEODORO
Já que o time atendeu ao pedido feito aqui na semana passada, ou seja, despachou o São José e voltou classificado de Porto Alegre, não custa pedir de novo: quero-quero mais, Tubarão!
Aliás, por falar em rifa, teve gente que não gostou da que foi feita para pagar a viagem de avião até Porto Alegre; os mais exaltados chegaram a falar que Londrina virou chacota nacional pelo fato da rifa ter sido notícia na Rede Globo - uma vergonha que, segundo eles, expôs a cidade ao ridículo perante à nação.
Vergonha...? Por que tal sentimento? Vergonha, como se dizia antigamente, é roubar e não poder carregar, dito que se ouvia quando alguém se sentia envergonhado de fazer determinada coisa que nada tinha de vergonhoso.
Ora, se a coisa foi feita de forma transparente, como parece ser o caso da rifa da TV; se o resultado da iniciativa animou a equipe e fez o Londrina voar mais alto na série D, ter vergonha de quê? Além do mais, como também diz um antigo ditado, cada um sabe onde o seu calo aperta.
E, no caso do Londrina, dos credores mais antigos aos mais recentes, todos sabem que o aperto do clube é no bolso. Garanto que tem teve vergonha não comprou um número sequer da rifa.
Sem vergonha, confesso que também não comprei, mas fiz o que podia: entrei na fila e paguei 10 pilas para ver a primeira peleja no estádio do Café, jogo em que o Londrina garantiu a classificação ao enfiar 3 a 1 no São José, sem apelação.
Se o Londrina vai continuar voando alto não se sabe, mas, agora que o time voltou classificado de Porto Alegre, a torcida animada, por que não fazer outra rifa pra atiçar a boleirada e o time continuar com a mesma pegada?
Vamos deixar o pudor de lado porque, para uma cidade classe A como Londrina, vergonha é ter um time na Série D do Campeonato Brasileiro e não
fazer uma rifa para tirar o time desta vergonhosa posição.
Aliás, além dessa rifa de 100 reais para vender aos mais endinheirados e bancar as viagens, podia se pensar noutra, mais popular, de 10 ou 20 reais, com quinhentos ou mil números, para garantir o bicho dos jogadores ao final de cada fase.
A renda dessa rifa seria maior ainda se os bens a serem rifados fossem doados pelas empresas londrinenses que, como compensação, poderiam ganhar em troca um espaço publicitário no Estádio do Café para divulgar os seus produtos.
Quem sabe assim o nosso produto futebolístico não volte a trazer, como já trouxe, alegria - para os torcedores - e dinheiro para todos os que pegam uma boquinha quando o Tubarão tá numa boa.
Pior do que rifar alguma coisa é ser rifado, desprezado, abandonado. Quem sabe se, com essas rifas, em vez de passar vergonha, a torcida alvi-celeste não da um exemplo para todo o Brasil de que não se deve rifar a quem se ama sem mais nem menos, como um enjeitado qualquer.
E, depois de 80 anos da chegada da caravana pioneira a Londrina, o Tubarão é o primeiro time no coração de milhares de torcedores londrinenses, sejam eles corintianos ou palmeirenses, Flamengo ou Fluminense.
É por isso e muito mais que torcida alvi-celeste repete o pedido: quero-quero mais, Tubarão! Quanto à rifa, se nada der certo e o Tubarão for eliminado pela Chapecoense, os sócios podem, como vingança por mais uma frustração, rifar o presidente, embora haja o risco de não vender um tostão.
Mas isso é outra história, com rifa ou sem rifa, o que a torcida quer é o grande prêmio da classificação para a terceira divisão. Afinal não pode ficar numa posição qualquer aquela que já foi a Capital Mundial do Café. É ou não é?





