APOLO THEODORO
Prensa da imprensa
''Dunga diz que Kaká não é necessário'', esta era uma das chamadas de capa do jornal Folha de São Paulo do último domingo. Indo direto ao caderno de esportes, nova chamada - ''Dunga cogita não levar Kaká e Ronaldinho à Copa'' - remete o leitor à página 3 do caderno onde está a entrevista com o atual técnico da seleção brasileira de futebol. Com o título: ''Dunga admite barrar estrelas'', a entrevista saiu horas antes da vexatória derrota de 2 a 0 para o Paraguai.
Vexame
Vexatória, não tanto pela derrota em si, afinal perder faz parte do jogo e o Paraguai, se não é uma Brastemp, tem CabaÀas, jogador que tem se mostrado um especialista na arte de fazer gol nas defesas brasileiras. O que decepcionou de verdade foi ver o time de Dunga correr 90 minutos atrás da bola e não conseguir criar uma única oportunidade de gol - time que ele considera capaz de lutar pelo título da Copa do Mundo de 2010, mesmo sem as presenças de Kaká e Ronaldinho.
Vontade
Claro que a Folha de São Paulo exagerou nas duas chamadas: em nenhum momento da entrevista Dunga disse, como insinua a jornal paulista, que Kaká não é necessário e tampouco cogitou deixar os dois melhores craques brasileiros da atualidade fora da próxima Copa - o que Dunga afirmou foi que, para jogar na seleção, os dois precisam estar jogando nos seus clubes e, mais do que tudo, demonstrem vontade de vestir a camisa amarela, assim como faz Robinho, aquele que Dunga definiu como ''jogador símbolo'' da sua era como treinador da seleção.
Sem eles não dá
Neste aspecto, concordo plenamente com o treinador, mas, independente da Folha de São Paulo ter forçado a barra ou mesmo ter colocado em sua boca palavras que ele não disse textualmente, o que causa perplexidade é o Dunga dizer que esse time que atuou contra o Paraguai tem capacidade para lutar pelo título Copa do Mundo da África, em 2010. Sem Kaká e Ronaldinho - e se até lá não surgir um outro fenômeno por aí - não tem e, como estamos vendo nestas eliminatórias, até para ficar entre os quatro que se classificam está difícil.
Pior sem eles
Sem bairrismo, o time do Brasil que atuou contra o Paraguai pode até se dar bem hoje à noite contra os argentinos, afinal está jogando em casa, o retrospecto recente contra o adversário é bom, sem contar que a defesa da seleção argentina é bem pior do que a do Paraguai, no entanto, sem Ronaldinho e Kaká, a equipe brasileira não só vai penar para se classificar, como corre sérios riscos de voltar mais cedo pra casa no Mundial de 2010. Que Dunga pare de espezinhar seus dois craques, pois, se não cair antes, pode precisar muito deles para que o sonho africano não se transforme em mais um pesadelo. Ruim com Kaká e Ronaldinho, muito pior sem eles.
Memória (1)
Um domingo qualquer no início dos anos 60. No campo do SERVI, que era em frente da Paróquia Nossa Senhora de Fátima, na avenida 10 de dezembro, uma partida de futebol pelo Campeonato Amador da cidade coloca frente a frente as equipes do Londrina e da Cervejaria. No time do Londrina, entre outros, jogavam Tio, Pegoraro, Afonso, Shangri-lá, Farley, Tenório, Niero, Bertola, Neu e Jorginho; na Cervejaria, os principais jogadores eram os irmãos Américo e Roma Gaion e Dille. A partida, embora acirrada, seguia normalmente até que o árbitro Antonio Izidio resolve marcar um pênalti a favor do Londrina.
Memória (2)
Num segundo, ele foi cercado pelos jogadores da Cervejaria; ameaçado, Antonio Izidio correu e, sem ter pra onde ir, entrou correndo na igreja. É provável que o Pai Celestial tenha dado uma mãozinha àquele filho desesperado em busca de proteção, mas, quem presenciou a cena garante que, além da ajuda divina, se não fosse o Tio, goleiro do Londrina, o árbitro ia levar uma surra daquelas. Com os dois braços abertos na porta de entrada da igreja, como se fosse defender um pênalti, Tio não deixou o pessoal entrar. O jogo acabou e o árbitro Antonio Izidio só conseguiu ir embora quando Kim Pegoraro, que era padeiro, o colocou na kombi de entregar pão e o levou embora.





