Time que tem...
No último domingo, por volta das 17 horas, estive no VGD, o velho Estádio Vitorino Gonçalves Dias de tantas lembranças - lembranças de um tempo em que, numa hora dessa, num dia desse, em vez de ir a uma festa, a gente lotava o VGD para ver jogar um time que já não existe mais. Cadê o Londrina Esporte Clube? Se não é o Fiori Luiz lembrar semanalmente em sua coluna nesta Folha, a gente até esquece que o Tubarão existe.

Uma torcida dessa...
Este ano a torcida só deve ver o time em campo lá pra agosto, se houver a Copa Paraná, caso contrário só no ano que vem, isso se o gestor financeiro não for embora e deixar o time mais desnorteado ainda. Mas, se está sem rumo e sem títulos; se possui dívidas trabalhistas com credores e deve muito futebol aos torcedores; se não está em lugar nenhum no cenário esportivo brasileiro, o Tubarão tem lugar cativo no coração de uma torcida apaixonada e fiel - tão fiel que é capaz de existir mesmo sem ter um time para torcer.

Não merece...
Assim, fui ao VGD no último domingo não para aplaudir o Londrina, mas para bater palmas para a torcida Falange Azul - esse batalhão de fanáticos torcedores que não deixa apagar a chama da paixão que os une promovendo encontros semanais em sua sede, além de outras atrações como o animado Festival de hip hop que me levou lá. Localizada sob os degraus da geral do VGD, a sede da Falange fica exatamente embaixo do local onde seus integrantes se concentravam dentro estádio para ver os jogos do time.




Um time desses
É lá que torcedores como Fernando, Japonês, Rafael e Luisinho se encontram para festar e sonhar. Festar pra não deixar cair o ânimo da turma e sonhar com aquilo que já foi realidade um dia, mais precisamente em 1992, quando o Londrina foi campeão estadual - mesmo ano de fundação da Falange Azul que, depois disso, nunca mais viu o Tubarão com a faixa de campeão no peito. Peito que não faltou aos inúmeros torcedores na festa de domingo para, entre um rap e outro, gritar num coro só: ''Tubarão, Tubarão...!''

Márcio e João Neves
Nostálgico, Luizinho quer de volta a alegria de 1992 quando assistiu aos três jogos decisivos contra o União Bandeirantes. Lembrando do sufoco que foi o segundo jogo - ''Eu já estava indo embora desanimado quando o Márcio empatou no finzinho da partida'' - ele fala da emoção que sentiu na terceira partida ''quando João Neves fez o gol do título.'' Rafael não esconde que ''estamos esperando um time bom pra Copa Paraná'' e Fernando explica que ''a gente se reúne aqui toda quinta-feira pra manter o pessoal junto.''

Jéferson e William
A Falange Azul tem 150 sócios. Já chegou a ter 850 membros. ''Nós queremos um time, pois somos uma torcida sem time!'', pede Japonês, no exato momento em que a dupla de rap Jéferson e William, conhecida como ''Pesadelo atual'', brada lá de cima do palco: ''Não basta só querer, tem que ter fé e ir pra cima; o preço do seu sonho é o preço da sua vida!'' Quem está a fim de pagar esse preço e tirar o Londrina do atual pesadelo?

Memória
Local onde se jogava o melhor campeonato de futebol suíço da cidade, o Canadá Country Club era um verdadeiro ninho de cobras. De futebol, claro. Vez ou outra, a boleirada formava um ''catado'' de jogadores e ia jogar em alguma chácara da cidade. Num sábado qualquer dos anos 80, um desses catados foi jogar na chácara Sossego, na saída para Ibiporã. Com um time que tinha Altamir, Jefinho, Lelei, Paringer, Índio e outros do mesmo padrão, bastou o primeiro tempo para enfiar 4 gols na equipe adversária.

Memória (2)
Veio o segundo tempo, o time da casa fez um gol e se animou. O problema é que escureceu e a partida não acabava. Dizem que até os faróis dos carros foram acesos para iluminar o campo. O jogo estava 4 a 3 quando Jefinho fez a jogada histórica: numa bola alta sobre a área do seu time ele agarrou-a com as mãos e apontou a marca da cal: ''Pênalti, podem bater e empatar jogo porque senão a gente não sai daqui hoje e eu estou com a goela seca de vontade de tomar uma!'' O pênalti foi convertido e todos foram ajudar Jefinho a matar a sua vontade.

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