Outra parada
Depois da atuação do São Paulo último domingo, se o jogador Vampeta fosse cronista esportivo e estivesse no meu lugar, por certo diria, só para provocar, que os ''bâmbis'' são-paulinos estavam com a cabeça noutra parada que acontecia em São Paulo naquele dia, tal a apatia do time que empatou com o Curitiba. Aliás, se o juiz Tardelli, aquele que falha sem tardar, apita o pênalti em Rubens Cardoso, a parada - não a gay - ia ficar mais indigesta ainda para esse time que não muda o figurino e não faz outra coisa senão cruzar bolas altas na área pra ver se os grandalhões resolvem esta parada que não tem nada de cor de rosa.

Um e outro
Agora, independente desta história dos jogadores estarem abalados psicologicamente, atordoados com a cabeçada do Washington no último minuto da partida que eliminou o São Paulo da Libertadores, duas coisas me chamaram à atenção no jogo em que o Coritiba poderia ter vencido: a cara abobalhada, a feição ainda magoada de Muricy e o jeito esquisito de jogar com o qual Richarlysom voltou da seleção, aliás, não só neste jogo, mas em todos os confrontos do São Paulo depois da sua primeira convocação que, aliás, foi justa pelo seu excelente desempenho no Campeonato Brasileiro do ano passado, quando foi campeão.

Um
Vamos começar com o Muricy: tá certo que não é fácil perder um jogo como aquele, mas como esperar que o time se recupere emocionalmente se o chefe do grupo se mostra o mais abatido de todos? A fisionomia desolada do Muricy, quando ele fala da derrota para o Fluminense, é de dar dó, a coisa ainda está entalada e ele não consegue esconder. Mais resmunga do que fala. Com uma energia dessa vindo do chefe, o que esperar dos jogadores, esses homens tão fortes e, ao mesmo tempo, tão frágeis que habitam o nosso imaginário desde a infância e a quem estamos sempre prontos a condenar e a perdoar, dependendo das nossas reviravoltas emocionais?

O outro
Claro que é difícil engolir a derrota, ela abala e questiona o narciso que habita em cada um de nós, mas futebol é esporte e deve ser encarado como tal apesar dos milhões que estão em jogo na Libertadores. A torcida do São Paulo não condenou ninguém pela eliminação na Libertadores, portanto, chega de auto-punição Muricy, se toca, ou então muda de toca pra ver se as coisas melhoram pra você e pro São Paulo, embora continue achando que seu lugar é aí, isto é, desde que mude essa cara que, lembrando Chico Buarque, parece um pote até aqui de mágoa. Já com o jogador Richarlysom o abalo, mais do psicológico, é de outra natureza.

Arrebitou
Jogador de boa qualidade técnica, o coringa e vigoroso Richarlysom voltou da seleção com trejeitos de craque - que ainda não é - querendo fazer no São Paulo coisas que também não tem competência para fazer. Até o jeito de correr ele mudou. Não sei se por causa da convocação ou por influência daquele processo que moveu contra um diretor do Palmeiras, que o chamou de gay, o Richarlysom parece estar jogando de salto alto e, não sei se pra provocar os puritanos, também passou a correr com a bunda arrebitada, mãos e braços sempre abertos como querendo afastar quem se aproxima dele, além de se meter a dar umas enfiadas de bola sem ter talento para tal.

Mascarou
Resumindo, não há como evitar o termo, o Richarlysom ficou muito mascarado para o meu gosto, que pode não ser bom, no entanto, embora não tenha o direito de botar gosto ruim no time de ninguém, eu peço: Richarlisom, seja o que você sempre foi que o seu futuro será brilhante no futebol, na seleção e na vida. Caso contrário, meu caro, vai continuar tomando bolas vexatórias no meio das pernas, a exemplo da que levou de Michael domingo e que resultou no gol do Coritiba, e levando bailes desmoralizantes iguais ao que lhe deu o mesmo Michael na mesma partida. A parada é outra, meu caro.

Memória
Outro dia, aqui neste espaço, lembrei de dois pênaltis que eu errei numa semifinal da Taça Paraná, no final dos anos 60, entre duas equipes de Londrina: o ''Corinthinha'' e o Paraná. Na verdade, eu errei ao dizer que errei as duas penalidades, foi o goleiro adversário que defendeu as duas cobranças. Depois, eu errei de novo ao não citar o nome do grande goleiro que fez as duas e inúmeras outras defesas durante o jogo que levou o Paraná para a final, falha que corrijo agora: Bibo - esse é o nome daquele que me fez chorar no nosso último encontro futebolístico da juventude, mas que também me fez rir agora, 40 anos depois, com as boas lembranças daquele tempo, no 12º Encontro dos Boleiros de Londrina, realizado na semana passada na Associação dos Viajantes.

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