Heitor e Asdrubal
Irmãos, filhos de gente da roça e pouco letrada, Heitor e Asdrúbal nunca souberam de onde os pais tiraram seus nomes. Portanto, nem é preciso dizer que o ensacador Heitor jamais ouviu falar no príncipe troiano, herói da mitológica guerra de Tróia, desconhecimento idêntico ao do seu irmão, o barbeiro Asdrúbal, que também nada conhecia dos feitos do general cartaginês que lhe emprestara o nome. Heitor e Asdrúbal, além de irmãos, jogavam futebol. E no mesmo time: o Esporte Clube Lajense. O veterano e raçudo Heitor era beque-central das antigas, daqueles de arrepiar atacantes; o ciscador e jovem Asdrúbal era centro-avante tipo relou/caiu, o popular ''pipoqueiro''.

Nasce um apelido
Certo domingo, jogo duro, com Heitor, lembrando o príncipe troiano, se transformando numa muralha intransponível para os atacantes adversários, lá na frente Asdrúbal não parava em pé, mal relavam nele já caía, em nada lembrando o valente general cartaginês que foi tutor de Aníbal - encenações que irritavam o irmão mais velho de quem, aliás, Asdrúbal era tutelado e do qual morria de medo. Na quinta pipocada, Heitor, feito um guerreiro, veio correndo lá de trás, agarrou o irmão caçula pelo colarinho e, para espanto da torcida o ameaçou: ''Se você cair mais uma vez eu vou te esganar, viu seu molenga, seu... Pudim!''. Asdrúbal, que já conhecia a mão pesada do irmão mais velho, tratou de correr assim que se viu livre, mas, talvez por estar com as pernas bambas de medo, escorregou e se esborrachou no chão feito um... ''Pudim! Pudim! Pudim...!'' - gritou a torcida em coro o apelido que Asdrúbal carregou para o resto da vida.

Rixa

Londrina e Cambé nunca se bicaram no futebol. Antigamente, jogar time de Londrina contra time de Cambé, quando não saía briga, bate-boca era mais que certo. É célebre e já faz parte do anedotário folclórico/futebolístico da cidade a frase do goleiro Oberdan, já falecido, num jogo decisivo entre o Ypiranga, de Londrina, e o time da Chácara Cascata, de Cambé. O jogo era no campo da AABB - Associação Atlética Banco do Brasil e quem ganhasse seria campeão.

Paz
Depois de um lance mais ríspido entre Cristiano e Serra, o beque do Ypiranga e o centro-avante da Chácara Saudade já estavam pra se pegar, olho no olho saindo faísca, aquele empurra-empurra entre os demais jogadores, quando o veterano Oberdan, com seu mais de meio século de bola, dá um berro lá do gol - ''Olha, gente, de boca a gente pode se estraçalhar, mas brigar de tapa não, hein!'' - e espalma a intolerância para escanteio.

Carro
Mas quem pensa que essas rusgas se limitam aos gramados e pertencem a um passado remoto se engana. Que o diga a equipe da AMAI - Associação dos Moradores do Alto do Igapó que foi campeã da 4 edição do recém findo Torneio do Trabalhador e ganhou um carro 0 km. Só tem um detalhe: poderia ser o segundo veículo ganho pelo time já que no ano passado a AMAI também foi campeã, mas não levou o carro. Motivo? Inscrição de atleta não residente em Londrina, o que o regulamento não permite. E onde morava o atleta importado? Em Cambé, claro. Como viram, quando o assunto é futebol, as relações entre Londrina e Cambé podem dar até prejuízo. Só não sabe disso o Amarildo Vieira Martins que levou a Portuguesa pra lá

Mal humor e arrogância
Por falar em rivalidade, qual dos times sairá vencedor esta noite: o do mal humorado e bom técnico Muricy; ou o do arrogante e bom treinador Renato? A única certeza é que vai dar tricolor na cabeça.

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