A bola grudada no pé do atacante, o marcador tentando e não conseguindo dar o bote. O atacante vira para um lado, vira para o outro, numa fração de segundo ergue a cabeça e encontra o centroavante escondido. Faz o passe milimétrico. Gol. Isso aconteceu aos 34 minutos do segundo tempo na Arena Barueri. Foi o empate do São Paulo diante do Corinthians.
A jogada do gol tricolor explica porque Ganso é tão cobrado, vigiado e diariamente colocado à prova desde que surgiu no Santos até hoje. Espera-se coelhos da cartola como o de ontem todos os dias.
Seria injusto com o camisa 10 do São Paulo dizer que ele só fez o passe para o gol (o que já seria muito). Ontem ele propôs o jogo, chutou, tentou ajudar na marcação. E graças a ele o São Paulo conseguiu furar o excelente sistema defensivo corintiano.
Até o gol de empate, o Corinthians fazia o seu jogo: fortíssimo na defesa e a procura de uma bola. Ela veio na jogada puxada por Romarinho e concluída por Fagner. O plano da vitória só não deu certo desta vez porque Ganso e, claro, Luís Fabiano, não deixaram.
Com poucas exceções desde que o Brasileiro passou a ser disputado em pontos corridos em 2003, os times de boas campanhas são mais parecidos com o Corinthians de hoje do que com o São Paulo de hoje. Mais eficiência, menos ousadia.
Com quatro rodadas disputadas, impossível dizer se Corinthians ou São Paulo vão terminar o ano bem. Hoje, o sucesso do Corinthians passa pelo binômio zaga forte e ataque eficiente. O sucesso do São Paulo muitas vezes terá de passar pelos pés de Ganso.

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