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segunda-feira, 03 de fevereiro de 2014
MARCELO DAMATO<br>marcelo [email protected] 
Os meus colegas Mauricio Oliveira e Eduardo Tironi já falaram bastante e muito bem . na edição de ontem do L! sobre a invasão do CT do Corinthians por baderneiros que se dizem corintianos no sábado. Oliveira disse que o Corinthians tem que agir. Já Tironi, que a nota emitida pelo Corinthians não significa nada diante da gravidade dos fatos.
Mario Gobbi está diante de uma decisão crucial como líder da comunidade alvinegra: ou enfrenta esse bando que desrespeitou o clube, ou se curva a eles e à pressão de Andrés Sanchez para por panos quentes no caso, e fará o Corinthians voltar a ser motivo de chacota - o que aconteceu por décadas.
Há vários pontos a esclarecer no episódio, especialmente sobre a ação da segurança do clube e da PM no caso. A primeira deixou acontecer. Por que não havia segurança reforçada? Por que os seguranças não foram até o ponto da cerca que estava sendo rompida? E por que a PM, vendo a invasão, nada fez? Agora é a hora de identificar e punir, além dos crimes de invasão, destruição ao patrimônio e agressão, citados por Tironi, há um mais grave: formação de quadrilha.
Mario Gobbi terá mostrar que honra as duas carteiras, a de presidente do Timão e de delegado da Polícia Civil. E, delegado, senhor Gobbi, não se "põe à disposição das autoridades policiais". Delegado age. E poderia começar por três ações:
1) Banir todos os envolvidos do programa de sócio-torcedor.
2) Suspender e depois expulsar do clube todos os envolvidos que sejam associados.
3) Exigir que as torcidas organizadas façam o mesmo com aqueles que são seus sócios. E romper relações com as torcidas que não afastarem os baderneiros.
Se Gobbi quiser conhecer como se faz isso, basta telefonar para o presidente do Cruzeiro, Gilvan Borges, que, mesmo sob ameaças, baniu as duas maiores organizadas e, sem elas, não só aumentou o público nos jogos do seu time como foi campeão brasileiro. E ainda ameaça processar as organizadas para que indenizempelos prejuízos que causaram ao clube quando suas brigas forçaram jogos fora do Mineirão.
Se Gobbi não tomar nenhuma atitude, caberá então ao presidente da FPF, Marco Polo Del Nero, punir o Corinthians por manchar a imagem do Paulista. Como fazer o "Paulistão da família", se os jogadores são ameaçados antes mesmo de a partida começar e com a tolerância do seu presidente? Quem irá a um campeonato em que a violência já começa no CT?
Se Del Nero pretende mesmo ser o líder de uma nova era do futebol brasileiro, não pode passar em branco. Tem que chamar Gobbi para uma ação conjunta ou agir sozinho. Se não houver nenhuma reação, se a política oficial continuar a ser fingir que o agressor de hoje não voltará a agredir amanhã, então acho que não só os jogadores de futebol, mas treinadores, médicos, roupeiros e todo mundo do futebol têm que cruzar os braços.
Mais uma vez se coloca a questão de quem manda no futebol.



