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segunda-feira, 06 de janeiro de 2014
IVO FELIPE<br>Ivofelip [email protected] 
A cena é emblemática. Tão logo o jogo acaba, Morten Soubak vai ao solo e é abraçado por grande parte do time brasileiro que acabara de sagrar-se campeão mundial de handebol. Não por acaso o dinamarquês é o mais festejado: foi ele o maior responsável pela subida de patamar da Seleção feminina. O expediente de trazer experts estrangeiros para dirigir o esporte nacional tem sido repetido à exaustão e motivado pelo Comitê Olímpico Brasileiro. Exceção feita à uma modalidade.
Entre os 23 esportes contempladas com treinadores de fora do país - são 41 escolhidos ao todo -, a natação conta com apenas um contratado. Scott Goodrich, americano, atende Cesar Cielo e conduziu o campeão olímpico de Pequim-2008 de volta ao topo do mundo em Barcelona-2013. Mas a adoção de um mentor do exterior para por aí.
Pouco pode ser visto de investimento neste sentido em um dos esportes mais vitoriosos do país.
A natação verde e amarela "blinda-se" e pouco permite a inclusão de estrangeiros para desenvolver trabalhos de maior relevância por aqui. Scott Volkers, australiano e técnico-chefe da equipe do Minas Tênis Clube, é um exemplo. E não se furtou, por exemplo, de criticar a Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos (CBDA) por conta de um desempate mau organizado com seu nadador às vésperas do último Mundial, na Espanha.
A chegada deste tipo de sangue novo na gerência da natação nacional seria benéfica em todos os sentidos. Para estabelecer prioridades, seria fundamental. Há um erro claro de metas que não é coibido entre os nadadores de alto nível no país.
Na primeira sessão do Torneio Open, realizado em Porto Alegre, em dezembro, os seis índices para o Pan- Pacífico-2014 - a ser disputado em agosto, na Austrália - foram obtidos em provas não-olímpicas. 50m costas, 50m peito, 50m borboleta são frequentemente os melhores resultados da Seleção Brasileira em grandes competições. Conquistas de relevância, sem dúvida, mas infrutíferas se a linha de chegada do trabalho é a Olimpíada do Rio, em 2016.
Veja o caso de Cesar Cielo. É o atual bicampeão mundial dos 50m borboleta. Em ambas as conquistas, a chegada ao torneio foi cercada de declarações sobre o fato de não ter treinado para esta disputa, não ter priorizado-a e etc. Os 50m livre - prova olímpica - sempre foram o foco
Não desmereço os feitos de nadadores como Etiene Medeiros, Daniel Orzechowski, João Gomes Jr. e etc. Nestas provas. Só gostaria que seus (enormes) talentos fossem aproveitados de forma mais inteligente. Inteligência que pode vir do exterior.



